Novas enzimas: produção de etanol celulósico em escala comercial

Novos materiais da Novozymes catalisam a produção de açúcares em substratos de biomassa

Nivea Schunk
Agroenergia

Uma nova família de enzimas, desenvolvida recentemente pela Novozymes, possibilita a produção de etanol de segunda geração a partir de substrato de biomassa. Fruto de dez anos de pesquisa em conjunto com diversas instituições, a Cellic CTec2 (celulase) e a Cellic HTec2 (hemicelulase) realizam hidrólise em materiais como palha e sabugo de milho, bagaço de cana e restos de madeira. Os elementos catalisam a geração de açúcares a partir dos resíduos agrícolas, viabilizando o etanol celulósico em escala comercial.

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Gerente de marketing para biocombustíveis na América latina, William Yassumoto conta que a apresentação formal das enzimas Celic no país ocorrerá em São Paulo, entre 22 a 24 de março, durante o evento F.O. Licht's Sugar and Ethanol Brazil 2010, voltado para o segmento sucroalcooleiro.

Ele ressalta que em busca da economia de água e energia, a utilização de enzimas também faz parte do processo produtivo das indústrias de detergentes, alimentos, bebidas e têxtil no mundo inteiro. O conceito do produto é similar ao praticado pelos produtores de etanol de milho nos Estados Unidos.

No Brasil, a parceria firmada com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba, interior de São Paulo, é responsável pelo estabelecimento de pontos específicos de aplicação das enzimas para produzir etanol com o bagaço da cana. Segundo ele, o país lidera esses estudos com trabalhos bem localizados, que por enquanto estão em fase experimental. E já existe uma planta piloto testando o desempenho das enzimas.

— De forma geral, o uso dessa técnica é um avanço no que se refere à sustentabilidade. As enzimas são totalmente biodegradáveis. Com a mesma quantidade de matéria-prima o etanol celulósico pode dobrar a produção. Sendo assim, o aproveitamento do bagaço e das pontas da cana-de açúcar aumenta os lucros sem expandir a área de plantio — enfatiza.

Provenientes de processos de fermentação laboratorial, as enzimas são oriundas de microorganismos presentes na natureza. A manipulação dessas substâncias, posicionadas entre as energias mais limpas do mundo, contribui ainda para redução do efeito estufa no planeta. Yassumoto alerta que, comparado à gasolina, o etanol emite até 90% menos poluentes.

"O uso da técnica
 é um avanço no
 que se refere à
 sustentabilidade"


 William Yassumoto,
 da Novozymes