Duas das variedades de cana-de-açúcar recomendadas recentemente pela Rede Inter-universitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (RIDESA) apresentam potencial para enfrentar a ferrugem alaranjada. O projeto tem o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia e de empresas do setor produtivo. Fruto do trabalho conduzido pelos pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco, a RB 962962 e a RB 002504 oferecem um diferencial produtivo estimado em 15%.
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Membro da equipe, o professor Djalma Simões, explica que os materiais precoces e com altos níveis de sacarose foram criados para atender às épocas de início e final das safras, períodos de grande defasagem nos canaviais.
— Outro benefício é que as variedades enfrentam o problema de florescimento ou interrupção do crescimento da planta, muito comum no Nordeste. Além disso, viabilizam o manejo para os segmentos adequados de maturação de solo e de moagem. Devem proporcionar à produção regional com um crescimento vertical — afirma Simões.
Os estudos implementados pela rede, composta por dez universidades brasileiras, são conduzidos em duas estações de cruzamentos localizadas em Alagoas e Pernambuco. Com mais de 2.500 genótipos de cana do mundo inteiro, esses centros geram quatro milhões de indivíduos por ano. Seis anos depois de iniciado o processo de seleção, começam os testes nas unidades produtoras de usinas para validar os materiais que comprovarem superioridade.
— Nos concentramos também na questão das variedades serem mais resistentes às pragas e doenças para que o produtor não gaste muito com insumos e nem tenha prejuízos. No ano passado, avaliações desenvolvidas em parceria com a Costa Rica indicaram tolerância não só à ferrugem alaranjada, como a outras doenças comuns à cultura. A pesquisa é contínua e a cana está sempre sendo substituída por cultivares melhores — resume.
Segundo Djalma, há algumas sementeiras disponíveis, oriundas da colheita do experimento nas unidades produtoras. A distribuição de sementes para os pequenos e médios produtores de cana deve começar ainda esse mês, seguida do estímulo à multiplicação para que todos tenham acesso à novidade o mais rápido possível.
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