A seleção de materiais que superem em pelo menos 20% o rendimento alcançado nas lavouras é o objetivo do programa de obtenção de variedades da mamoneira, da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Considerada o epicentro da semente no Brasil, a Bahia figura também entre os maiores produtores de mamona no mundo.
Grande parte dos experimentos de campo são conduzidos no município de Irecê, no sentido de avaliar o comportamento dos genótipos introduzidos quanto à produtividade, tolerância a doenças e pragas e adaptação. Dispondo de cerca de 800 entradas, a empresa detém o maior banco de germoplasma do país.
A partir da identificação das características mais apropriadas, começa a fase de cruzamentos. Segundo o pesquisador Valfredo Vilela Dourado, o processo contempla a participação ativa dos agricultores.
As etapas de competição e vocação de plantio das cultivares são desenvolvidas nas propriedades agrícolas, devido à necessidade de observá-las tanto em relação às dificuldades do semiárido, quanto à exigência de estar normalmente consorciada ao feijão. Há também a prática do tri-consórcio com a inclusão do milho.
Além disso, implementa-se macro parcelas em unidades técnicas para comparar o sistema.
— O processo de melhoramento prima também pelo controle da deiscência, abertura natural do vegetal ocorrida ao atingir a maturação. Outro quesito importante é a arquitetura da planta. Para a agricultura familiar, por exemplo, as de porte muito alto dificultam a colheita — afirma Valfredo.
Entre as recomendações mais recentes estão a EBDA-AMPA 11, um material vocacionado para o modelo familiar, que admite bem o plantio com outras culturas, e a EBDAMPB 01, com melhor capacidade produtiva, que se destina à plantações de médio e grande porte e ao cultivo exclusivo da mamona.
—O resultado prático é muito significativo para os agricultores à medida que, em condições normais, com chuvas regulares bem distribuídas e uma média de índice pluviométrico de 600 mililitros ao ano, a colheita pode chegar a 2.500 quilos por hectare — revela o pesquisador.
Duas cultivares inéditas estão em vias de recomendação. Atualmente, nas últimas fases de teste, a previsão de apresentação oficial é para 2010.