Novo livro sobre tecnologias de produção do tomate

Incaper lança publicação que descreve quase 80 variedades para o Estado do Espírito Santo, dos tipos salada, italiano e cereja, e recomenda a produção integrada

Juliana Royo
Sanidade Vegetal

O Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (Incaper) lançou na terça-feira 21 de setembro um livro sobre as tecnologias de produção do tomate no Estado do Espírito Santo com quase 80 variedades, cuidados de manejo, a recomendação de produção integrada e novos problemas fitossanitários que afetam o cultivo. No Estado, 90% da produção é de tomate tipo salada, que é o mais tradicional, com cerca de 200 a 250 gramas e produtividade média de 68 toneladas por hectare. As cultivares mais recomendadas para este tipo de tomate são a Carmen, Dominador e Alambra que se adaptam melhor às condições climáticas da região e apresentam alguma resistência às principais doenças que afetam o tomate no Estado.

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— No livro nós optamos em colocar as cultivares por grupos. Existem agricultores no Estado que estão iniciando produção com tomates italianos, que são um pouco menores, mais longos e achatados com cerca de 7 a 10 centímetros de comprimento e cerca de 3 a 5 centímetros de diâmetro. Neste grupo uma cultivar bastante utilizado no Estado é a Andreia. Outros produtores optam por um mercado diferenciado com a produção de tomate cereja, que tem entre 15 e 30 gramas com cerca de 4 centímetros de diâmetro, comercializados em bandejas ou pencas de 12 a 18 frutos. Tem produtores que demandam cultivares que aguentem distâncias extremamente longas para o Nordeste ou Norte do país, então precisa de cultivares do grupo longa vida — destaca José Mauro de Souza Balbino, pesquisador do Incaper e um dos autores do livro.

O tomate está no topo da lista das culturas que mais recebem agrotóxicos no país e a situação na é diferente no Espírito Santo. No entanto, os pesquisadores estão desenvolvendo tecnologias que possam mudar essa realidade. Já existem produtores no Estado plantando o tomate orgânico, livre de químicos, mas a produção integrada é a solução para a maioria dos agricultores. A ideia da PI não é abolir completamente o uso de químicos, eles podem estar persentes na adubação, por exemplo. O foco principal deste sistema moderno é a observação da lavoura e a adoção de técnicas de manejo preventivas para que não haja resíduos no produto final que prejudiquem a saúde dos consumidores e também não haja contaminação do solo.

— Nós estamos adotando de produção integrada. Este é um sistema de produção em que a gente busca ter um produto de qualidade e mais seguro, em que as tecnologias tenham um impacto reduzido sobre o meio ambiente e sobre a saúde do homem. O que a gente tem colocado em relação ao sistema de produção é a prevenção, depois a observação e só no final a intervenção. Atualmente o produtor já planta pensando em intervir e você tem alguns passos antes disso com a prevenção. É preciso trabalhar com variedades tolerantes a doenças da região, fazer rotação de cultura, planejamento da produção, fazer a análise de solos da área, adubação correta e equilibrada. Se for aplicar produto químico o produtor tem que respeitar o período de carência para colocar um produto seguro no mercado.

Outra preocupação dos produtores e pesquisadores é o surgimento de novas pragas e doenças. Além da mela do tomate e da alternária, que já são conhecidas na região, os capixabas estão em alerta com uma nova raça do fusarium que chegou ao Estado e pode causar danos ao tomateiro. Balbino diz que a recomendação neste caso é o uso da varieadde Ivanoé, que apresenta boa resistência ao fusarium de forma geral e deve sofrer menos com os problemas desta nova raça. Outro problema recente na questão fitossanitária é o ataque de uma nova praga nos últimos anos, a mosca branca, que além dos danos do inseto também transmite um vírus para a planta.

Quem quiser adquirir o livro deve entrar em contato com o Departamento de Comunicação e Marketing do Incaper, em Vitória. O site do Incaper é o www.incaper.es.gov.br.