O novo modelo de produção de maracujá, desenvolvido pela equipe de biologia aplicada da Universidade Estadual Paulista, proporciona a convivência com o vírus do endurecimento do fruto no campo. Sob a coordenação do professor Aloísio Costa Sampaio, a pesquisa avaliou o manejo e a viabilidade econômica do plantio em ciclo anual.
A sintomatologia na fruteira é nitidamente perceptível, as folhas ficam amarelecidas e cheias de bolhas. Já o fruto, deformado, endurecido e com pouco volume de polpa perde o valor no mercado in natura. Outro fator complicador é o grande potencial de disseminação por meio de insetos vetores, tesoura de poda e até manualmente.
Instalados no pomar de um membro da associação de produtores, em Bauru, os experimentos substituíram as fruteiras contaminadas por mudas produzidas em estufa fechada, totalmente isentas de virose. A partir daí, teve início uma inspeção quanto ao reaparecimento de plantas sintomáticas na lavoura.
— Entre a erradicação e o replantio, o solo ficou em repouso durante 15 dias. O vírus é um parasita obrigatório, portanto quebramos o seu ciclo ao cortarmos a planta doente. Felizmente, a reinfecção ocorreu somente após o florescimento, época em que o maracujazeiro já atingiu determinada estrutura vegetativa — explica o professor.
Considerando os diferentes padrões de tamanho para comercialização do maracujá, a colheita foi classificada no sentido de mensurar a qualidade e produtividade. Além disso, o ensaio também abordou cotações mercadológicas para aferir o retorno financeiro obtido com a implantação do novo sistema de manejo.
Na prática, os resultados possibilitaram a indicação de um conjunto de medidas preventivas ao produtor. O conceito principal está fundamentado na manutenção do pomar por apenas uma safra. O replantio em áreas livres da doença, aliadas à escolha de plantas maiores oriundas de viveiristas gera frutos de ótimo calibre e valorização comercial.