Novos clones tomam conta dos pomares de maçã

Publicação sobre cultivares de maçã no Rio Grande do Sul mostra evolução da cultura e substituição por frutos mais coloridos e produtivos

Juliana Royo
Manejo

A Embrapa Uva e Vinho lançou recentemente a publicação "Cultura da macieira no Rio Grande do Sul: Análise Situacional e Descrição Varietal". O livro faz uma avaliação da evolução e expansão do cultivo na região e descreve características de 12 clones de maçã, em forma de ficha. A publicação também fala sobre as principais pragas e doenças da cultura na região e mostra uma substituição de cultivares no Estado. Novos clones mais produtivos e, principalmente, mais coloridos estão ganhando destaque porque atraem o consumidor pela cor viva dos frutos. Outra vantagem dos novos clones mais coloridos é que os produtores podem fazer uma colheita antecipada justamente porque a cor fica intensa mais cedo.

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— Nós temos alguns clones plantados há bastante tempo e estamos num processo de reconversão. Os principais são os tradicionais como o Royal Gala, Fuji Suprema e recentemente nós estamos partindo para alguns clones novos e mais coloridos como "Baigent", "Fuji Select” e "Galaxy" que são clones mais novos com a coloração mais atrativa para o consumidor. Isso para o produtor também é um pequena vantagem, porque permite colher em um estágio não tardio, não é preciso esperar que eles entrem em um estágio ótimo de maturação porque a coloração natural deles já é bastante acentuada. Isso faz com que a mão-de-obra possa ser um pouco melhor escalonada. Mostramos o abandono de variedades que se plantavam aqui no Estado como o Grupo Golden, Red Delicious e GrandSmith — explica o pesquisador João Fioranvanço, da Embrapa Uva e Vinho, um dos autores do livro.

A produtividade dos novos clones fica entre 50 e 60 toneladas de fruto por hectare, mas o pesquisador alerta para que a produtividade depende do manejo de cada pomar, do espaçamento e também do porta-enxerto que se utiliza porque os muito vigorosos tendem a produzir menos. Em média, a produção de maçãs no Rio Grande do Sul é de 30 toneladas por hectare. O livro também mostra que a mosca das frutas continua sendo o principal problema dos produtores e já está disseminada em todas as zonas produtoras da região, causando grandes prejuízos. Outras pragas de menos importância são a grafolita, broca dos ponteiros e algumas lagartas. Na questão de doenças, o grande problema é a sarna, além da mancha de glomerela e algumas podridões.

— Na parte introdutória da publicação, fazemos uma avaliação da situação da cultura no Rio Grande do Sul. É sabido que nós temos dois grandes polos de produção de maçã no Brasil que é a região de Friburg e de São Joaquim, em Santa Catarina, e a região de Vacaria, na serra gaúcha. A gente faz uma análise tentando diagnosticar para onde a cultura está se expandindo. Os pomares estão se expandindo na região de Vacaria e também na região de Caxias do Sul, em menor medida. Isso mostra que os produtores estão buscando regiões com melhor aptidão climática. Na segunda parte, a gente mostra em forma de ficha as características dos principais clones que estão sendo plantados hoje. Temos a descrição de 12 variedades, sendo seis do grupo Gala, quatro do grupo Fuji, além das cultivares Pink Lady e Daiane — ressalta Fioravanço.