Às vésperas da Rio+20 acontece o evento “Sustentável 2011, 4º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável”, que tem como tema “Visão 2050: agenda para uma nova sociedade”. O encontro promete promover uma profunda discussão sobre as mudanças que ocorrerão nos próximos anos para que, em 2050, o planeta possa prover condições de vida dignas aos seus 9 bilhões de habitantes. O evento ocorre entre os dias 27 e 29 de setembro, no Píer Mauá, Rio de Janeiro, e conta com a presença de líderes empresariais, governamentais e da sociedade civil abordando questões como os novos rumos em direção à economia verde, desta vez com base nas diretrizes do relatório “Vision 2050”, um documento histórico lançado no Brasil pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), mostrando as tendências do desenvolvimento global para as próximas décadas.
Segundo Marina Grossi, presidente-executiva do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o evento conta com a presença de especialistas do Brasil e do mundo, representando diferentes setores da sociedade, como empresas, governos, entidades civis e instituições acadêmicas.
— O objetivo do congresso é conscientizar as pessoas sobre os grandes temas que estão em discussão na Rio+20. Ele casa perfeitamente com a discussão que já temos em curso: a construção de uma nova agenda para as empresas até 2050 — afirma a presidente-executiva.
Ela diz ainda que a projeção para o ano 2050 é de uma sociedade onde existam 9 bilhões de pessoas vivendo em um mesmo planeta com saúde, educação e mudança de valores em relação ao desenvolvimento sustentável. Marina fala ainda que ainda é preciso diminuir muito o número de terras que são usadas para uma mesma cultura na agricultura brasileira, ou seja, aumentar a produtividade, a eficiência hídrica, o desenvolvimento de pesquisas, ganhos de produtividade e comércio mais justo, além de diversos outros caminhos para atingir o número de alimentos e biocombustíveis suficientes para uma nova economia.
— Devemos estabelecer metas para enfrentar nossos grandes desafios na área de educação, saúde, saneamento, transporte, tratamento de resíduos sólidos, adaptação de nossas cidades para o novo cenário climático e combate à pobreza. As questões devem ser enfrentadas a partir de um modelo que estimule a eficiência econômica, assegurando o uso racional dos serviços ambientais e garantindo a inclusão dos milhões de brasileiros no mercado formal. Se soubermos aproveitar o potencial de crescimento do país a partir de bases sustentáveis e o incrível espírito empreendedor do nosso povo, venceremos esse desafio — conta.
Para se adequar a esta nova sociedade, Marina explica que a agricultura brasileira deve adotar novas técnicas agrícolas para que o uso de agrotóxicos sofra considerável diminuição. Ela acrescenta que os produtores rurais precisam ser bem qualificados e a produção toda modernizada, de modo que se garanta o aumento da produção de grãos sem o aumento da área de plantio e sem a extensão da área produtiva e que devem haver investimentos em educação para que a população faça um melhor aproveitamento dos alimentos e um melhor planejamento financeiro familiar.
— Quando o assunto é Florestas, é preciso implementar a contenção da expansão das áreas agrícolas, mantendo-as apenas em regiões já desmatadas, incentivar atividades econômicas de vocação florestal, como extração de borracha, castanha, óleos e exploração madeireira de baixo impacto, incentivar também a implementação de tecnologias e assistência técnica aos pequenos agricultores e estimular a conscientização sobre os impactos do desmatamento e o valor econômico das florestas plantadas — orienta ela.
Economia Verde
Para a presidente-executiva , uma economia verde valoriza e investe em capital natural. Ela explica que 1/4 dos investimentos verdes analisados, 0,5% do PIB (US$ 325 bilhões), é alocado a setores de capital natural, como silvicultura, agricultura, água potável e pesca.
— O valor agregado na indústria florestal aumenta cerca de 20% em 2050 em comparação com o cenário habitual de negócios. Investimentos em agricultura verde que variam entre US$ 100 e US$300 bilhões por ano de 2010 a 2050 conduziriam, ao longo do tempo, ao aumento da qualidade do solo e ao crescimento da produção global das principais culturas, representando uma melhora de 10% acima do que é possível com as estratégias atuais de investimento — afirma Marina.
Ela completa dizendo que o aumento da eficiência na agricultura e nos setores industrial e urbano reduziria a demanda de água em cerca de um quinto até 2050, em comparação com as tendências projetadas, reduzindo a pressão sobre o lençol freático e água superficial, tanto em curto quanto em longo prazo.
— Um investimento de apenas 2% do PIB global em 10 setores chave pode dar início à transição rumo a uma economia de baixo carbono e eficiência de recursos. O novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) demonstra que a transição para uma economia verde se torna possível se forem investidos 2% do PIB global por ano, atualmente cerca de US$ 1,3 trilhão, entre o momento atual e 2050 em uma transformação verde de setores-chave, como agricultura, edificações, energia, pesca, silvicultura, indústria, turismo, transporte, água e gestão de resíduos. Contudo, tais investimentos devem ser estimulados por reformas de políticas nacionais e internacionais — conclui.
Para mais informações sobre o evento, basta acessar o link www.sustentavel.org.br.
