Pela primeira vez nos últimos dez anos, um encontro reuniu, em Campinas (SP), associações de produtores, instituições, pesquisadores e técnicos para verificar avanços tecnológicos e entraves da cultura do figo. O intuito é utilizar as matérias discutidas durante o Segundo Simpósio Brasileiro Sobre a Figueira, promovido pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), para direcionar as pesquisas e suscitar questões primordiais, como a expansão das áreas de cultivo e o desenvolvimento de materiais resistentes às pragas e doenças. José Augusto Maiorano, diretor regional do CATI, alerta para o fato de dispormos de apenas uma cultivar para plantio, mas afirma que a política pública de produção integrada do governo vem garantindo o aumento constante das exportações.
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O cultivo da variedade Roxo de Valinhos é ainda extremamente localizado. Rio Grande do Sul e Minas Gerais produzem figo verde voltado para fins industriais. São Paulo concentra o mercado de mesa e as exportações. Cerca de 15% dos 600 hectares cultivados no município de Valinhos são destinados ao consumo europeu. Desde que as políticas públicas de produção integrada trouxeram a possibilidade de certificação, já são cerca de dez produtores locais aprovados pelo protocolo internacional (GlobalGap) e habilitadas a exportar para Europa. Com isso, as exportações anuais passaram de 800 mil quilos para um milhão e 600 mil quilos.
— A preocupação maior é com assepsia e contaminações químicas, se os produtos aplicados estão dentro do período de carência e se o produto foi manuseado adequadamente. Recentemente, um fito-hormônio muito importante foi registrado. Já vinha sendo testado e trabalhado desde o final década de 1970, mas não tinha registro e era um grande empecilho. Essa aprovação também colaborou com o processo de certificação e com o aumento do volume exportado. É uma tecnologia muito importante, porque o produtor pode fazer aplicação localizada em uma determinada quantidade. Ele consegue, dentro de cinco a sete dias, colher e embarcar os frutos — revela.
Outro passo importante foi a reorganização do modelo de colheita e casas de embalagens, as melhorias do processo de seleção do fruto, embalamento e apresentação. Porém, ainda são poucos os defensivos e insumos licenciados no País. Além do figo precisar de tratos culturais bastante específicos, exigindo diversos investimentos relativos à energia elétrica e outras instalações, há a limitação do material nacional ser um clone e não produzir semente.
— Isso é um risco, porque temos várias doenças como o fungo que causa a seca da figueira. Não temos nenhum material resistente que possa ser usado. Precisamos encontrar um clone, mesmo que seja como porta-enxerto, que permita cultivar em terras com infestações de solo, onde não cabe tratamento químico — resume.
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