Produtos desenvolvidos a partir da carne do dorso da rã podem representar um salto econômico para os ranicultores. Uma pesquisa da Embrapa Agroindústria de Alimentos mostrou que é possível e economicamente viável elaborar patê, salsicha e carne de conserva com o dorso, que normalmente é descartado pela indústria. A técnica será apresentada nos dias 21 e 22 de setembro, em um workshop realizado no Rio de Janeiro. O objetivo é oferecer novas alternativas para o desenvolvimento de produtos na cultura.
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O patê e a salsicha foram produzidos com a carne mecanicamente separada (CMS), que é processada por uma máquina e depois separada da cartilagem e do osso. Com a adição de ingredientes comuns de patê e salsicha, foi possível desenvolver os produtos. Em um teste, realizado na própria Embrapa Agroindústria de Alimentos, tanto o patê quanto a salsicha foram bem aceitos. A carne de conserva foi produzida com a carne de dorso desfiada manualmente e misturada a molho de tomate. O produto também teve boa aceitação.
No experimento, também foram testadas a vida de prateleira dos do patê e da salsicha. No caso da salsicha, ela teve uma vida útil de 45 dias, que é semelhante à vida útil das outras salsichas oferecidas no mercado. No caso do patê, o produto se manteve estável por até um ano.
Os produtos desenvolvidos com a carne de dorso mantiveram as características nutricionais da carne de rã. Eles apresentaram baixo colesterol, baixo valor calórico e alto valor de cálcio.
De acordo com Ângela Furtado, pesquisadora da Embrapa, a técnica é economicamente viável a partir do momento que se tem uma indútria pré-estabelecida.
— A industria de pescado no Brasil não é tão forte quanto em outros países, mas teria como pegar uma linha de produção de uma industria de pescado normal que faz enlatado, tipo atum ou sardinha, e tentar fazer a adaptação dela para o caso do patê. E, no caso da salsicha, qualquer indústria que faça salsicha de carne, de frango, de peru, poderia também fazer a salsicha de rã — explica.
A pesquisa desenvolvida pode beneficiar os ranicultores, já que representa uma alternativa para uso de um subproduto da cultura. Para fornecer a matéria-prima para a agroindústria, os produtores precisam separar mecanicamente a carne. Basta ter uma sala para produção da CMS adequada às boas práticas de fabricação. Após o processamento, a carne pode ser congelada, assim como é feito com a carne de coxa. O próximo passo é vender para a indústria.