Nutrição e adubação na cultura do milho

Informações requeridas para otimizar a eficiência do uso de insumos na lavoura de milho

Redação
Manejo

O manejo racional da adubação e da fertilidade do solo na cultura do milho é uma das estratégias que o produtor rural deve utilizar para aprimorar a eficiência do uso de insumos na lavoura.

Em estudo da Embrapa Milho e Sorgo, o pesquisador Antônio Marcos Coelho observa que a maior exigência da cultura do milho refere-se a nitrogênio e potássio, seguindo-se cálcio, magnésio e fósforo. Já, com relação aos micronutrientes ferro, manganês, zinco, boro, cobre e molibdênio, as quantidades requeridas pelas plantas de milho são muito pequenas. Entretanto, a deficiência de um deles pode ter tanto efeito na redução na produtividade, como a deficiência de um macronutriente.

Outro aspecto que deve ser ponderado inicialmente é que o milho é classificado como sendo de tolerância mediana às condições de acidez e toxidez de alumínio. Solos com saturação de alumínio da CTC efetiva (valor m) maior do que 20% causam limitações no rendimento do milho. Contudo, este último fator é dependente ainda da ocorrência de déficit hídrico, teores de matéria orgânica e fósforo no solo e híbrido de milho cultivado.

Do ponto de vista econômico e ambiental, a dose de nitrogênio a aplicar é para muitos, a mais importante decisão no manejo do fertilizante. As recomendações atuais para a adubação nitrogenada em cobertura para a cultura do milho de sequeiro, de modo geral, varia de 60 a 100 quilogramas de nitrogênio por hectare para uma produtividade entre 3,5 e seis toneladas por hectare de grãos.

Em agricultura irrigada, onde prevalece o uso de alta tecnologia, para a obtenção de elevadas produtividades esta recomendação seria insuficiente. Nestas condições, doses de nitrogênio variando de 120 a 160 quilogramas por hectare podem ser necessárias para obtenção de elevadas produtividades.

Na tomada de decisão sobre a necessidade de adubação nitrogenada alguns fatores devem ser considerados, tais como: condições edafo-climáticas, sistema de cultivo (Plantio Direto e convencional), época de semeadura (época normal e safrinha), responsividade do material genético, rotação de culturas, época e modo de aplicação, fontes de nitrogênio, aspectos econômicos e operacional. Isso enfatiza a regra de que as recomendações de nitrogênio devem ser cada vez mais específicas e não generalizadas.

Dentre as informações requeridas para otimizar essa recomendação, incluem-se: a) a estimativa do potencial de mineralização do nitrogênio do solo; b) a quantidade de nitrogênio mineralizado ou imobilizado pela cultura de cobertura; c) o requerimento do nitrogênio pela cultura, para atingir um rendimento projetado; d) a expectativa da eficiência de recuperação do nitrogênio disponível das diferentes fontes (solo, resíduo de cultura, fertilizante mineral).

Como critério para recomendação a serem avaliados, em condições específicas, a Embrapa considera adequado considerar a técnica da estimativa das necessidades de nitrogênio da seguinte maneira:

N f = (N y – N s) / E f
Sendo que: N f = corresponde à quantidade de nitrogênio requerida pela planta; N y = representa a quantidade de nitrogênio que pode ser acumulada na matéria seca da parte aérea da planta (palhada + grãos), para uma determinada produção de grãos (valores variam de 0,7% de nitrogênio na palhada a 1,4% de nitrogênio nos grãos); N s = representa o nitrogênio suprido pelo solo (20 quilogramas de nitrogênio para cada 1% de matéria orgânica do solo ou, valores que variam de 60 a 80 quilogramas de nitrogênio por hectare por cultivo); E f = é o fator de eficiência ou aproveitamento do fertilizante pela planta (calculado em função do aumento do conteúdo de nitrogênio da parte aérea por unidade de fertilizante aplicado. Valores variam de 0,5 a 0,7.

Para ver um exemplo de como esse cálculo funciona, acesso o arquivo em anexo e saiba mais também sobre o parcelamento e época de aplicação de nitrogênio, fósforo, potássio e enxofre, bem como as exigências nutricionais acerca de micronutrientes para a cultura do milho.