Cada brasileiro produz, em média, um quilo de resíduos por dia. Estudos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostram que, deste total, 51,4% é de matéria orgânica, 31,9% de material reciclável e 16,7% de resíduos gerais não recicláveis.
Com a implantação da Política Nacional dos Resíduos Sólidos, as empresas passam a integrar a cadeia de gestão destes resíduos, sendo obrigatório destinar corretamente o que é gerado em suas atividades. Parcerias com cooperativas são boas estratégias para a destinação dos recicláveis, como plástico, papel, metal e vidro. Quando o assunto é o material orgânico, uma iniciativa ganha cada vez mais espaço: a compostagem.
O processo da compostagem é responsável pela transformação de materiais orgânicos, como sobras de alimentos, podas de árvores e plantas, em um composto rico em nutrientes: o húmus. De fácil instalação e baixo investimento, a compostagem é uma alternativa viável para os pequenos negócios que desejam aproveitar os resíduos gerados em suas instalações.
Bares, restaurantes e hotéis são exemplos de segmentos que tem utilizado frequentemente o sistema para gerenciar sua produção. Aliando a produção do húmus à implantação de uma horta, é possível abastecer as próprias atividades, como é o caso do Hotel Verdegreen, em João Pessoa (PB). Após a instalação da horta, o hotel passou a suprir cerca de 70% de sua demanda com produtos de produção própria. Além disso, o húmus pode ser utilizado no paisagismo e, no caso dos produtores rurais, para alavancar a produtividade da plantação.
Com o objetivo de mostrar a viabilidade da compostagem nos pequenos negócios, o Sebrae em Mato Grosso e o Centro Sebrae de Sustentabilidade implantaram o sistema há três anos. Hoje, o local é destino de visitas técnicas de empresários e estudantes que desejam aprender mais sobre o assunto.
Instalação
Com capacidade para 2.400 litros, a composteira do Centro Sebrae de Sustentabilidade foi construída pelo empresário Cláudio Aurélio Leal Dias, da Estrela Maior, e ocupa uma área de 5 m2. Cláudio explica que o projeto varia de acordo com as necessidades de cada empresa. “No Sebrae, a construção foi de alvenaria e reaproveitamento de bambu, mostrando que é uma iniciativa acessível a qualquer empresa, pois é possível utilizar materiais diversos”, ressalta o empresário.
As minhocas mais utilizadas são a vermelha da Califórnia e a noturna africana, pois convertem com maior rapidez o composto em húmus, e o número ideal é de meio litro por metro quadrado. O ciclo completo da compostagem, de acordo com dados da Embrapa, depende da origem e tamanho dos resíduos orgânicos, além da instalação e composição das pilhas do composto, podendo chegar de 45 a 60 dias. No caso das propriedades rurais, estercos de animais (ovinos, aves, bovinos) também podem ser utilizados, melhorando a qualidade do produto final e reduzindo o tempo de produção do húmus.
A umidade, temperatura, pH e ventilação do local também são fatores importantes no processo. Josyany Duarte Mendes, gestora do Projeto Gestão Ambiental do Sebrae em Mato Grosso, explica que o monitoramento garante um húmus de melhor qualidade. “Por se tratar de um processo aeróbico, é preciso manter ventilação, temperatura e nível de umidade adequados. Empresas que não desejam comercializar o húmus, e sim utilizar na propriedade, podem fazer o monitoramento mecânico, por exemplo da umidade, apertando o composto entre as mãos”, explica. Ao incorporar material orgânico na composteira, é necessário revirar periodicamente e muitas das vezes regar para que haja uma melhor ação das minhocas e decomposição do material. Quando o composto está pronto para ser retirado dos canteiros, o material apresentará cor escura uniforme, consistência leve e aroma neutro.
Resultados
A adoção da compostagem no Sebrae em Mato Grosso e no Centro Sebrae de Sustentabilidade eliminou o descarte de resíduos orgânicos em aterros. As sobras de alimentos gerados nas atividades, juntamente com as podas de arvores e as folhas, são destinados à composteira local. No segundo semestre de 2013 (julho a dezembro), foram produzidos uma média mensal de 126 quilos de resíduos orgânicos. O húmus gerado no processo é utilizado no paisagismo das instalações.
A composteira encontra-se em anexo ao prédio do Centro Sebrae de Sustentabilidade, que este ano já recebeu cerca de 100 visitantes.
Infográfico
Empreendedores que desejam aproveitar a oportunidade par abrir um novo negócio podem conferir a publicação do Centro Sebrae de Sustentabilidade. O infográfico aponta, com ilustrações explicativas, as principais práticas a serem adotadas. Confira: Infográfico Compostagem.