O Brasil vai consumir menos feijão – Por que vai ficar caríssimo!

O preço alto afugentará ainda mais o consumidor quando novamente ultrapassar os R$6 por quilo

Marcelo Lüders
Agronegócio



                                    
Em meio  a toda preocupação dos produtores, e mesmo da saúde pública, sobre o menor consumo de feijão, o cenário catastrófico que já vinha sendo previstos pelos melhores profissionais da área está se confirmando. Seca no nordeste e no interior de São Paulo e chuva no sertão da Bahia, somados a produtores que foram desestimulados pelo governo no início do ano, resultam em uma campanha forte contra o precioso alimento.
 
O preço alto afugentará ainda mais o consumidor  quando  novamente ultrapassar os R$6 por quilo. Dependendo de quanto tempo leve este fenômeno de alta extrema, alguns consumidores que se alimentam diariamente de feijão, o farão com menos frequência e, quando houver novamente oferta, o consumirão menos vezes por semana. Os técnicos dão de ombros e apontam para o céu – a culpa é do clima. Mas sabem que são responsáveis (em boa parte por omissão) por serem lentos em tomar decisões importantes e estratégicas. Há quatro anos, na Câmara Setorial, o Ibrafe tem insistido que precisamos ter feijões diferentes, que o brasileiro aprecie e que tenha produção e consumo em  outros países. Assim quando sobrar aqui o produtor não fica com um “mico” chamado feijão carioca na mão e o governo não precisa carregar um produto que deixa de ser atraente, tanto quanto uma alface - que perde atrativos em poucos dias.
 
 Os estudiosos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) ouviram e estão buscando soluções, adaptando variedades ao clima brasileiro. Mas aqueles que precisam bater o martelo e dizer: “isto passa a ser política de Estado”, postergam.  Aguardam que algo mais evidente ocorra e os convença.  Que legado deixarão? O de bons diagnosticadores? Talvez nem isto.
 
A mais óbvia das solicitações, como utilizar leilão de prêmio dando oportunidade a quem tem interesse de buscar abrigar-se sob a proteção de um preço mínimo, é aplaudida nas reuniões, porém, não é levada implementada na  prática. A vida dos brasileiros está em jogo. 
 
Não se trata somente de retórica do  “mercado”, se trata, também, de obesos, hipertensos e cardiopatas pendurados na saúde pública deixando de produzir e morrendo cedo. Ficamos preocupados com tragédias repentinas na mídia e nos calamos diante da tragédia silenciosa e não menos rápida que ceifa vidas mesmo com o campo produzindo pratos baratos e tradicionais como feijão, arroz, carne e salada. Simples como tudo que é verdadeiro.  Durante o II Fórum Brasileiro de Comercialização do feijão nos, dias 26 e 27 de Novembro, em Castro, mais uma vez o Ibrafe buscará colocar em torno de uma mesa vários atores que podem mudar este quadro.
 
 Se o orçamento do Ministério da Saúde para campanhas de mídia  de todas as doenças é menor do que a Ambev para a cerveja, menos dinheiro nas meias e cuecas e mais Policia Federal podem ajudar. Se, realmente, os Ministérios da Agricultura, Combate à Fome, Saúde e Desenvolvimento Agrário quiserem, podem  mudar esta situação. Se não, peçam  socorro a iniciativa privada, mas que se faça alguma coisa. É necessário partir para a ação.
 
Com o nível educacional medíocre que os governos propositalmente mantêm nos currais de eleitores a consciência do que é realmente  bom para saúde  terá que ser apresentada em forma de bê-á-bá – tipo caldinho de feijão na boca do cidadão – para que entendam  que fast-food que dá brinquedinho, mata.