
Na Amazônia, o desafio para produzir alimentos deve considerar vários aspectos ligados ao desenvolvimento, como sustentabilidade e ambiente, segurança alimentar, e fatores estruturais, como acesso às localidades e organização social. As estratégias de intervenção devem, assim, considerar a diversidade dos ecossistemas, o conhecimento local agregado, as condições sociais, econômicas e culturais dos grupos de produtores.
No século passado, a década de 1970 representou grandes mudanças demográficas, ecológicas, sociais, econômicas e culturais na região. O Programa de Integração Nacional (PIN) atraiu, por meio de incentivos diversos, investidores e empresas para a região. Às comunidades indígenas e caboclas juntaram-se fluxos migratórios, procedentes do Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul do País, constituídos, na sua grande maioria, por trabalhadores rurais em busca de oportunidade para cultivar a própria terra. Esse contingente e mais os agricultores tradicionais demandaram por sistemas de produção mais eficientes levando em consideração os aspectos amazônicos.
A Embrapa iniciou sua atuação no Estado do Amazonas em 1974, por meio da Unidade de Execução de Pesquisa de Âmbito Estadual (Uepae) e do Centro Nacional de Pesquisa de Seringueira e Dendê (CNPSD). Atualmente é denominada Embrapa Amazônia Ocidental, com a missão de viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura na Amazônia, com ênfase no Estado do Amazonas, em benefício da sociedade.
Em função da importância da Agricultura Familiar para economia regional, as pesquisas da Embrapa Amazônia Ocidental, desenvolvidas em parceria com organizações públicas e privadas, têm procurado apoiar o desenvolvimento da agricultura familiar a partir de uma visão ampla. Por um lado, adequando as tecnologias e os sistemas de manejo, desenvolvendo, validando e demonstrando os sistemas de produção mais viáveis; por outro lado, procurando interagir com organizações locais e regionais de desenvolvimento, promovendo ações de capacitação e assessoramento aos agricultores, por meio de pesquisa participativa e difusão tecnológica, para superar gargalos de apoio à produção e gestão, promover ganhos de escala, comercialização e elevação do nível de renda dos agricultores pela inserção da produção familiar no mercado.