Fibras naturais como juta, algodão, sisal e coco podem ser utilizadas como reforço para plásticos, especialmente para aplicações cujas condições de uso são menos severas, para substituir parcialmente e até totalmente as fibras sintéticas, tais como na indústria automotiva para revestimentos internos, de portas, painéis e teto.
Contudo, geralmente, a maior parte do uso das fibras vegetais no Brasil ainda é em aplicações convencionais, como na produção de fios para cordoalhas, sacarias, artesanatos e tecidos. Isso permite especialistas do setor a ponderar que tais recursos naturais ainda não são explorados adequadamente, principalmente, considerando-se também que o Brasil é um dos países que possuem uma das maiores biomassas vegetais do mundo e que possui a maior extensão territorial cultivável, cujo potencial deveria ser melhor explorado.
Uma tendência do mercado atual, no entanto, é que esse uso de fibras vegetais em reforço a materiais plásticos aumente significativamente, devido a fatores como o alto preço das fibras sintéticas e a busca crescente por materiais de baixo custo, provenientes de fontes renováveis de matérias-primas, que não causem danos ao meio ambiente e possam competir com os materiais tradicionais.
As fibras naturais, quando incorporadas aos plásticos, podem ser processadas por praticamente todos os métodos convencionais de processamento de plásticos (extrusão, injeção, calandragem e prensagem) e possuem menor densidade que as fibras inorgânicas, tais como as fibras de vidro.
A forma de incorporação dessas fibras vegetais aos plásticos também se dá de maneira variada: fibras longas ou curtas, mantas, tecidos etc. Porém, o uso de tecidos tem se tornado bastante atraente.
Por exemplo, os tecidos híbridos, aqueles formados por mais de um tipo de fibra, estão sendo amplamente difundidos nas indústrias em estruturas complexas, devido à facilidade de manipulação e ao controle de muitas de suas propriedades apenas pela modificação da trama e/ou do teor relativo de fibras, adequação a superfícies curvas e baixo custo de fabricação dos componentes.
A Embrapa Instrumentação Agropecuária (São Carlos-SP), em conjunto com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), realizou estudos de plásticos reforçados (compósitos), à base de resina fenólica (novolaca) e tecidos híbridos de juta e algodão, utilizando a técnica de moldagem por compressão.
O desempenho final do material produzido foi medido por técnicas que possibilitaram a avaliação da resistência mecânica (tração, flexão, impacto); térmica (análise térmica dinâmicomecânica, calorimetria exploratória diferencial e termogravimetria); e resistência à queima (teor limite oxigênio e teste de queima vertical).
Para acompanhar a discussão de resultados dessa pesquisa e sobre a viabilidade e especificações do emprego de fibras vegetais em reforço a materiais plásticos, acesso o arquivo em anexo.