Óleo de pimenta-de-macaco reduz em 97% o ataque da broca ao abacaxizeiro

Os testes devem avaliar o efeito do óleo em formulações com inseticidas comerciais

Nivea Schunk
Sanidade Vegetal

A Embrapa Acre vem testando a utilização de óleo de pimenta-de-macaco como inseticida orgânico em diversas culturas. O projeto, implementado em parceria com a Universidade Federal de Viçosa, obteve ótimos resultados de campo em propriedades de produtores de abacaxi do município de Rio Branco. Com pulverizações de um litro e meio por hectare, desde a floração até os 15 dias antecedentes à colheita, os experimentos demonstraram redução de 97% do ataque da broca nos pomares.

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— Nós iniciamos os trabalhos com plantas anuais e comestíveis, como feijão, arroz, milho e hortaliças em geral, mas concluímos que a concentração necessária para exterminar a praga, também matava as plantas. O óleo causa queimaduras nas folhas. Então, direcionamos o trabalho para plantas que tenham folhas mais resistentes como citrus, cafeeiro e o abacaxi — explica Murilo Fazolin, pesquisador da Embrapa e coordenador da iniciativa.

A espécie amazônica oferece riscos de intoxicação bastante remotos, uma vez que é tradicionalmente utilizada para fins medicinais. Fazolin menciona ainda que um litro do óleo dessa pimenta custa em média 16 dólares, um valor que garante boas chances de competitividade frente aos agroquímicos tradicionais. No entanto, a fabricação de um produto devidamente registrado pelo Ministério da Agricultura ainda depende da realização de testes complementares.

Uma outra forma de comercialização do óleo é na composição de inseticidas convencionais. Atualmente em fase intermediária, esse desdobramento que viabilizaria a aplicação em outros cultivos ainda necessita de comprovação prática desse efeito potencial.

— Estamos aguardando contato de parceiros que se interessem em produzir o óleo, que façam um estudo econômico da viabilidade comercial para a agricultura orgânica. Essa é uma tecnologia já acabada. Já no caso da característica sinérgica, temos que desenvolver toda essa parte de laboratório e campo para depois buscar parceiros para que esse óleo seja o diferencial na formulação desses novos produtos — resume.

"Espécie amazônica
 oferece poucos riscos
 de intoxicação, já que
 é tradicionalmente
 utilizada para fins
 medicinais"