Os fatores de emissão dos projetos de cogeração no MDL

A Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima propôs a sub-divisão do Sistema Interligado Nacional em quatro subsistemas, cada qual com seu respectivo fator de emissão

Margareth Santos
Agroenergia

O fator de emissão é calculado pela média ponderada das emissões médias das margens de operação e construção. As emissões médias da margem de operação são as fontes que atendem ao sistema, excluindo a geração hídrica, geotérmica, eólica, biomassa de baixo custo, nuclear e solar. Já as emissões médias da margem de construção são as recentes adições de capacidade ao sistema, calculadas com base em 20% do total anual (em MWh) da geração realizada pelas mais novas usinas, ou com base na geração anual total das cinco usinas mais recentes.

Em relação aos fatores de emissão, a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima – CIMGC – propôs a sub-divisão do Sistema Interligado Nacional (SIN) em quatro subsistemas, cada qual com seu respectivo fator de emissão, causando polêmica no setor. De acordo com a nova proposta, as regiões Sudeste e Centro-Oeste teriam seus fatores de emissão diminuídos dos atuais 0,268 toneladas de dióxido de carbono por megawatt/hora para 0,1043.

Na região Sul, o fator aumentaria para 0,5659 toneladas de dióxido de carbono por megawatt/hora, enquanto Norte e Nordeste teriam fatores de emissão praticamente nulos. Com tais mudanças, de acordo com consultora Econergy e Ecosecurities, haveria diminuição drástica no volume de créditos de carbono gerados, a exemplo dos projetos de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e de biomassa, do Sudeste e Centro-Oeste. Seriam reduzidos também a quase totalidade dos volumes de crédito dos projetos de energia eólica do Nordeste.

A CIMGC publicou resolução (nº 8 de 26/5/2008) determinando a adoção de um único sistema como padrão para projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL – que utilizem a ferramenta de cálculo dos fatores de emissão, associada à metodologia ACM0002, para estimular suas reduções de emissão de gases de efeito estufa. O fator terá revisões mensais para acompanhar as mudanças que acontecem na matriz energética do País.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em São José dos Campos, SP, criaram um sistema para capturar o metano formado nos reservatórios de usinas hidroelétricas e produzir energia com ele. Os projetos de MDL de cogeração das usinas paulistas ratificam a contribuição positiva da produção de eletricidade a partir de biomassa e a redução de emissões gases de efeito estufa.


Saiba mais sobre o assunto

A natureza dos projetos de cogeração no MDL

As metodologias usadas pelos projetos de cogeração no MDL

A adicionalidade dos projetos de cogeração no MDL