A Embrapa Pecuária Sudeste realizou experimentos com o cruzamento da raça Santa Inês, altamente adaptada às condições brasileiras e com características de boa mãe como boa produção de leite, e duas raças estrangeiras especializadas em produção de corte, a Dorper e Suffolk. As ovelhas cruzadas apresentaram vantagens em relação às raças puras, tanto materna quanto paterna. Os animais meio-sangue ganharam mais peso em menos tempo em relação à Santa Inês e se demonstraram mais resistentes a doenças, como a verminose, além de sofrerem menos com mortalidade e se adaptarem bem às condições locais, diferentemente das raças paternas.
|BARRA_AUDIO|
— Observamos que estes animais cruzados conseguiram ganhar peso numa velocidade superior em relação à Santa Inês e, consequentemente, conseguimos abatê-los antes do tempo. A vantagem relativa às raças paternas é que eles são animais mais adaptados às condições tropicais, então o produtor vai ter uma menor mortalidade de cria e, consequentemente, maior lucratividade porque você vai ter mais animais disponíveis para abate. Nós conseguimos fazer o abate com 127 dias a 156 dias e em um animal puro da raça Santa Inês isso iria para 170 a 180 dias. Ou seja, conseguimos abater em torno de 30 a 35 dias antes — diz o médico-veterinário Rui Machado, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste.
O pesquisador explica que as vantagens da raça meio-sangue são relativas a uma característica chamada vigor híbrido ou heterose. Isso significa que as crias meio-sangue são superiores às médias dos pais para mortalidade e resistência a doenças. Como elas são mais vigorosas, morrem menos nos partos e sobrevivem melhor no período de desmama. A principal resistência das ovelhas cruzadas é em relação às verminoses, que podem causar graves problemas nos animais puro sangue de raças exóticas que não estão acostumadas ao Brasil. Além de conseguir abater os animais em um período de tempo mais curto e com mais velocidade, a qualidade sanitária dos animais é melhor. Machado diz que o ideal é abater os animais quando eles estão pesando entre 35 e 38 quilos, porque nesta faixa de peso a carne do cordeiro não é confundida com uma ovelha adulta e é vendida a um preço maior.
— Apesar deles serem mais resistentes e reproduzirem ao longo de todo o ano com características de adaptação muito fortes, não quer dizer que os produtores não devam tomar os devidos cuidados no manejo animal. Isso significa que o animal deve estar sempre bem alimentado, com suplemento mineral e água potável o tempo todo, deve ter acesso a sombreamento e boas instalações. Os produtores devem tomar cuidado com predadores como cães e onças. O ideal é que o produtor tenha sempre alguma assistência técnica privada ou de redes estatais como a Emater e a Catis — ressalta o pesquisador.