Palma forrageira resistente à cochonilha-do-carmim

Variedades como a Palmepa-PB1 e a Palmepa-PB3 dispensam o uso de agrotóxicos

Monique Dutra
Agricultura Familiar

A escolha da variedade adequada pode ser uma ferramenta eficaz no combate à cochonilha-do-carmim, principal praga da palma forrageira. Pensando nisso, a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa) selecionou cinco cultivares, das espécies Opuntia e Nopalea, que apresentam resistência ao inseto-praga: Palmepa-PB1, Palmepa-PB2, Palmepa-PB3, Palmepa-PB4 e Palmepa-PB5. As variedades Palmepa-PB1 e Palmepa-PB3 já estão sendo adotadas pelos agricultores da Paraíba.

Segundo o subcoordenador da pesquisa, Edson Batista Lopes, o material resiste ao ataque do inseto e tem sido bem aceito pelos produtores. Além disso, as cultivares dispensam a aplicação de agrotóxicos, adequando-se perfeitamente à seca da região. 

Os experimentos foram feitos tanto em laboratório como em campo. A partir da pesquisa de campo, foi possível observar uma variedade de “palma doce” com resistência ao inseto-praga. Ao todo, foram testados cerca de 30 materiais e, destes, cinco tiveram reação positiva. Para a difusão dos resultados, foram instaladas dez unidades demonstrativas em dez municipios das Regiões do Carirí Ocidental e Serra do Teixeira. Cada unidade demostrativa tem, em média, de mil a cinco mil covas de palma, dependendo do tamanho da região afetada na propriedade.

 Duas variedades
 resistentes à praga
 já foram adotadas
 pelos agricultores

De acordo com Lopes, a cochonilha-do-carmim é de fácil identificação. A folha de palma, chamada de raquete, apresenta uma colônia branca que, quando apertada com o dedo, expele um líquido vermelho. Assim é constatada a doença.

— Ainda não é possível atender à grande demanda dos produtores, pois essas variedades estão em fase de multiplicação. No momento, a distribuição com os agricultores é pequena por falta de material propagativo. Porém, o governo do estado da Paraíba está tentando contratar uma biofábrica para produzir a palma em grande quantidade. A outra alternativa é a multiplicação em massa pelo processo de micropropagação. Só a partir de 2010 elas serão disponibilizadas em quantidades suficientes para os produtores — ressalta o pesquisador.

Os trabalhos de pesquisa foram iniciados em 2007, sob a coordenação da Embrapa Semi-árido, com financiamento do Finep e parcerias da Emater e da Universidade Federal da Paraíba.