Para a bovinocultura na região de cerrado do Amapá, a grande variação qualitativa e quantitativa da forragem ofertada ao longo do ano é um problema, a exemplo do que ocorre em outras regiões do País.
A produção forrageira se concentra no período das chuvas (janeiro a junho) e, na época seca, o pasto se torna escasso para o pastejo dos animais. A situação se agrava se for levada em conta a baixa fertilidade natural dos solos e o tipo de gramíneas mais comuns na região, gêneros Trachipogon, Axonopus, Paspalum, Mesosetum, Eragrostis e Elyonurus. Todas são de ciclo curto, fibrosas e de baixo valor nutritivo.
Nesse sentido, a Embrapa Amapá acredita que a utilização de áreas de pastagens com forrageiras adaptadas e produtivas, que promovam o aumento da produção e melhoria da qualidade da forragem oferecida, é viável. Com isso, haveria diminuição da estacionalidade da produção e os pecuaristas melhorariam a eficiência produtiva de seus rebanhos.
A partir de 1983, a Embrapa Amapá iniciou os trabalhos de avaliação do capim marandú (Brachiaria brizantha), o qual apresentou boa adaptação às condições de cerrado do Amapá, tornando-se mais uma opção para a formação de pastagens.
A escolha do capim marandú para as avaliações se deve por causa de sua reconhecida tolerância a solos ácidos com baixo pH e altos níveis de alumínio tóxico; elevada produção de forragem; boa capacidade de rebrota; tolerância à seca; persistência; e resistência à cigarrinha-das-pastagens.
No Amapá, após quatro anos de observações (1995-1998), foram obtidas com o capim marandú produções de 8,5 toneladas por hectares de matéria seca (MS), sendo 6,3 toneladas por hectares (74% do total anual) concentrados no período chuvoso.
A forragem produzida pela cultivar marandú também é de boa qualidade, quando comparada com a de outras gramíneas. Tem sido observados valores de 47,75% para digestibilidade In viro da planta inteira com 44 dias de intervalo entre pastejos.
Quanto ao manejo das pastagens, o capim marandú, quando bem formado e manejado, permite lotações que variam entre uma unidade animal no período seco até três unidades animal por hectares no período chuvoso.
Além disso, por se tratar de uma gramínea forrageira de rápido crescimento, é indicado para o pastejo rotacionado, onde intercalam-se períodos de pastejo e de descanso.
No caso do capim marandú, deve-se evitar ainda períodos longos de descanso, com acúmulo de forragem de baixa qualidade.
O excesso de forragem no campo, devido a uma utilização menos frequente, provocará a degradação da pastagem, bem como nas circunstâncias em que não houver o período de descanso adequado para a reposição de nutrientes e a recuperação do pasto.