Patogenocidade de isolados de fungos de mangueira do Cerrado do Brasil Central

Malformação da mangueira aparece na planta jovem ou na florescência, prejudicando a produção

Rosália Silva
Doenças

Mais uma vez as mudas de boa qualidade podem garantir aos produtores o retorno do plantio. No caso da produção de manga, em áreas de Cerrado do Brasil Central, a indicação da Embrapa é clara: adquirir somente mudas de viveiro livre dos fungos da malformação da mangueira, causada pelo fungo Fusarium sacchari.

O País é o maior produtor de manga do mundo, cultura que tende a crescer cada vez mais por causa da larga aceitação pelo mercado consumidor. Mas esses fungos são obstáculos para a produtividade brasileira, que afetam diretamente o bolso do fruticultor.

Em pesquisa da Embrapa Cerrados, verificou-se que os 88 isolados coletados em pomares infectados causaram sintomas na variedade Tommy Atkins, sendo que a patogenicidade variou de 16,66% a 100% entre os isolados.

No caso da malformação vegetativa os sintomas aparecem principalmente nas plantas jovens, com a formação de numerosos brotos pequenos e agrupados. Já na fase de florescimento, é comum a transformação da inflorescência em massa compacta de flores estéreis com brácteas anormalmente grandes, que não produzirão frutos. Em ambos os casos, há registros na Índia de que as perdas chegaram a 86% nas cultivares suscetíveis em um período de três anos.

Os agrônomos José de Ribamar dos Anjos e Maria José Charchar detectaram malformação vegetativa e a malformação floral em todas as variedades mais cultivadas no Cerrado: Tommy Atkins, Keitt, Haden e Van Dyke.

O uso de fungicidas pode reduzir a porcentagem de inflorescências malformadas, mas não controla efetivamente a doença. E, segundo o estudo, a outra opção viável até o momento é a remoção e queima das partes afetadas abaixo do terceiro iternódio. A medida deve ser repetida nos anos dois ou três anos seguinte à intervenção na planta, o que não irá erradicar o mal, mas o manterá em níveis aceitáveis.