Percevejo bronzeado: A nova praga dos plantios de eucalipto

Plantios comerciais de eucaliptos estão sendo intensamente atacados pelo inseto

Leonardo Rodrigues Barbosa
Sanidade Vegetal

As plantações de eucaliptos no Brasil começam a sofrer com o avanço do percevejo bronzeado, o mais novo inseto-praga da cultura. Presente em nosso país desde 2008, o inseto vem se dispersando rapidamente por diversos estados, evidenciando sua elevada capacidade para multiplicar-se e ocupar novas áreas. Os primeiros reflexos do seu potencial de danos começam a surgir nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Plantios comerciais de eucaliptos estão sendo intensamente atacados pelo inseto.

O setor florestal brasileiro, em parceria com institutos de pesquisas e universidades estão mobilizados na busca de alternativas para conter o avanço desta praga e no desenvolvimento de estratégias para mitigar o seu impacto sobre os plantios de eucaliptos.


O inseto

Seu nome científico é Thaumastocoris peregrinus Carpintero & Dellapé, 2006 (Hemiptera, Thaumastocoridae), mais conhecido como percevejo bronzeado. A origem deste nome popular é uma alusão ao sintoma associado à injúria do inseto, que causa um bronzeamento nas folhas do eucalipto.

Trata-se de um inseto sugador, encontrado em grupo, principalmente na superfície abaxial das folhas. Os adultos são pequenos, com aproximadamente 3 mm de comprimento, corpo achatado e cor marrom clara. As ninfas recém eclodidas são amareladas e ao longo do desenvolvimento, tornam-se mais escurecidas. Seus olhos são vermelhos. Os ovos são pretos, achatados, com a região central côncava, depositados geralmente nas imperfeições ou próximo à nervura central das folhas, em ramos, pecíolos, de forma isolada ou em grupos.

O ciclo de vida de ovo até a morte do adulto é relativamente curto, com duração de aproximadamente 50 dias, podendo variar em função das condições climáticas e qualidade das plantas hospedeiras. A sobreposição de gerações é verificada ao longo do ano e uma grande quantidade de ninfas e adultos pode ocorrer nas folhas de eucaliptos. Característica peculiar desse percevejo é a rápida movimentação de ninfas e adultos pelas folhas por ocasião de alguma perturbação.


Origem e detecção no Brasil

O inseto é originário da Austrália, onde era desconhecido até recentemente. No entanto, nos últimos oito anos tem se estabelecido como uma praga de eucaliptos plantados em áreas urbanas de Sydney. Sua ocorrência já foi registrada em plantações comerciais na África do Sul, Argentina, Uruguai e Paraguai.

No Brasil, sua presença foi detectada primeiramente em São Francisco de Assis/RS, em maio de 2008 e posteriormente, em junho do mesmo ano, em Jaguariúna/SP. Na região Sul, a introdução da praga ocorreu provavelmente pela fronteira com Argentina e Uruguai, países onde a espécie já estava presente. Em São Paulo, acredita-se que o inseto tenha entrado pelos aeroportos de Viracopos (Campinas) e Guarulhos (São Paulo).

Após sua detecção, o inseto vem se espalhando rapidamente pelo país, atacando plantios de eucaliptos em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.


O Dano

Até o momento não existe uma estimativa dos danos desta praga aos plantios de eucalipto. Para se alimentar, o inseto raspa a superfície das folhas e suga a seiva. Altas infestações desse percevejo podem vir a causar redução considerável na taxa fotossintética, acarretando a queda das folhas e, em alguns casos extremos, a morte das árvores. No entanto, existe a possibilidade das árvores atacadas se recuperarem, emitindo novas brotações. Os sintomas associados ao dano são, inicialmente. o prateamento das folhas, que, com o tempo, evolui para o bronzeamento. Estes sintomas alteram nitidamente a coloração da copa das árvores, possibilitando sua identificação à distância.


Como combater a praga

Podemos afirmar que até o momento, não existem estratégias eficientes para o controle do percevejo em plantios de eucalipto. As estratégias para combater o inseto ainda estão em fase de desenvolvimento.

Na Austrália, há o registro de que a utilização de inseticida sistêmico (Imidacloprid) injetado no tronco das árvores é eficiente para o controle do percevejo bronzeado em áreas urbanas. No entanto, o uso do controle químico é uma medida questionável, sobretudo pelo impacto ambiental associado quando da aplicação de inseticidas em extensas áreas de plantio e também, por prejudicar o processo de certificação florestal. Neste contexto, parece haver um consenso de que há a necessidade de se propor medidas de controle que sejam alternativas e de baixo risco ambiental, considerando uma perspectiva ecológica e de integração.