Percevejos da soja: percevejos barriga-verde e tianta

O percevejo barriga verde tem adiquirido maior importância nos últimos anos, multiplicando-se na soja e, em alguns casos, migrando para o milho. A Fundação MS descreve a espécie

Pedro Zuazo
Pragas

Percevejo barriga-verde

A denominação percevejo barriga-verde se refere a duas espécies de percevejos que atacam a cultura da soja: Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus. Os adultos medem entre 9 milímetros e 12 milímetros, sendo a espécie D. melacanthus menor do que a D. Furcatus. Outra característica que identifica a espécie melacanthus é a extremidade dos espinhos pronotais mais escura que o restante do pronoto, enquanto que em furcatus a coloração dos espinhos é homogênea.

Os percevejos barriga-verde são marrons, com espinhos no protórax. As únicas diferenças entre essa espécie e a Euschistus heros são a ausência da mancha na forma de “meia lua” branca no dorso e a forma pontiaguda do contorno da cabeça. Os barriga-verde possuem ainda jugas agudas, apresentam ângulos umerais em forma de espinhos e têm as margens anteriores do pronoto serrilhadas. O rosto vai até as coxas anteriores e o abdômen é esverdeado. As ninfas apresentam coloração marrom acinzentada.

Segundo a Fundação MS, a incidência do percevejo barriga-verde tem aumentado nos últimos anos, multiplicando-se na soja e, em muitos casos, migrando para o milho. No caso da cultura da soja, os danos causados podem levar à morte de plantas durante a germinação. A espécie se perpetua em coberturas verdes, como o milheto, o que permite a sobrevivência de contínuas gerações na lavoura. Essa praga ataca principalmente no inverno, em locais onde há gramíneas.

Percevejo tianta

O percevejo Thyanta perditor, ou tianta, mede entre 9 milímetros e 11 milímetros de comprimento e tem duas expansões laterais no pronoto em forma de espinhos. O adulto apresenta coloração esverdeada, com uma faixa avermelhada na altura dos ângulos umerais, no pronoto. As ninfas possuem a superfície dorsal coberta pelos esbranquiçados e têm o abdômen negro e dotado de manchas e pontos esbranquiçados do segundo ao quinto estágio.

As fêmeas dessa espécie são esverdeadas e os machos, pardos. Ambos dispôem de manchas avermelhadas próximas à cabeça. Os ovos, de coloração castanha acinzentada com manchas brancas, são colocados em massas contendo entre 20 e 35 ovos cada. De acordo com a Fundação MS, a incidência dessa espécie na cultura da soja é mais comum em regiões quentes, especialmente em lavouras em sistemas de rotaçaõ com gramíneas e graníferas, como trigo ou sorgo.