Perfilhamento reduz resposta do rendimento de grãos do milho ao arranjo de plantas

UDESC avalia resposta do rendimento de grãos a variações no arranjo de plantas, promovidas pelo incremento na densidade e pela redução do espaçamento entre linhas, do híbrido perfilhador P30F53

Redação
Manejo

A Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) conduziu experimento com o objetivo de avaliar a resposta do rendimento de grãos a variações no arranjo de plantas, promovidas pelo incremento na densidade e pela redução do espaçamento entre linhas, do híbrido perfilhador P30F53.

O ensaio foi conduzido no município de Lages (SC) e foi implantando no dia 19 de outubro de 2007, no sistema de semeadura direta, num Nitossolo Vermelho distrófico. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados dispostos em parcelas subdivididas. Na parcela principal, foram testadas quatro densidades de plantas: 30 mil, 50 mil, 70 mil e 90 mil plantas por hectare. Nas subparcelas, foram avaliados três espaçamentos entre linhas: 40, 70 e 100 centímetros.

A adubação utilizada foi determinada seguindo recomendações da Rede Oficial de Laboratórios de Análise de Solo para a cultura do milho no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, objetivando produtividades de 12 mil quilos por hectare. Após a semeadura, quando as plantas estavam no estádio fenológico de três folhas expandidas (V3), efetuou-se o desbaste, deixando se o número de plantas necessário para atingir as densidades esperadas.

A colheita do ensaio foi realizada no dia 25 de abril de 2008. As espigas produzidas nos colmos principais e nos perfilhos foram colhidas separadamente, para se determinar a contribuição dos perfilhos na produtividade da cultura. Os rendimentos de grãos do milho superaram a 13 mil quilos por hectare e não foram afetados pela população de plantas e pelo espaçamento entre linhas.

O rendimento de grãos do colmo principal aumentou com o acréscimo da densidade de plantas, chegando à produtividade máxima de 13.620 quilos por hectare na densidade de 89.207 plantas por hectare. Já o rendimento de grãos dos perfilhos reduziu com o acréscimo da densidade de plantas na proporção inversa do colmo principal, iniciando com 5.985 quilos por hectare com 30 mil plantas por hectare e reduzindo até 462 quilos por hectare na população de 83.388 plantas por hectare. Na densidade de 30 mil plantas por hectare, mais de 90% das plantas produziram espigas nos perfilhos, cujos grãos colhidos contribuíram com 44% do rendimento total.

À medida em que a população aumentou, houve decréscimo na percentagem de plantas com perfilhos, no número de espigas de perfilhos por planta e na contribuição dos perfilhos ao rendimento, que foi de apenas 3,3%, quando se utilizou 90 mil plantas por hectare. No trabalho, mesmo utilizando-se uma população de 30 mil plantas por hectare, equivalente a 50% do valor recomendado para o híbrido P30F53, não houve decréscimos significativos no rendimento de grãos. O rendimento de grãos obtido na menor densidade equivaleu a 97% da produtividade total registrada na densidade de 70 mil plantas por hectare.

Esperava-se que a redução do espaçamento entre linhas e a distribuição mais equidistante das plantas dentro de cada densidade estimulassem o perfilhamento e aumentasse a contribuição dos perfilhos ao rendimento de grãos. Esta hipótese não foi confirmada. Por outro lado, os dados do trabalho demonstraram que o perfilhamento foi uma característica desejável para a estabilidade produtiva do híbrido P30F53, tornando-o menos sensível às variações no arranjo de plantas. Nas menores densidades, a planta perfilhou mais, o que aumentou sua área foliar, incrementando a interceptação da radiação solar e impedindo reduções significativas na produtividade.