Pesquisa busca fontes de resistência a doenças do maracujazeiro

Espécies silvestres nativas do cerrado são alternativas para os programas de melhoramento genético. para resistência a doenças causadas por bactérias e vírus na cultura do maracujá

Redação
Fruticultura

Doenças causadas por bactérias e vírus, como Xanthomonas axonopodis pv passiflorae, Passionfruit woodiness virus (PWV) e Cowpea aphid-borne mosaic virus (CABMV), são um dos principais problemas para a cultura do maracujá. A fim de buscar resistência genética a esses males, espécies silvestres nativas do cerrado são alternativas para os programas de melhoramento genético.
 
A Embrapa Cerrados e a Universidade de Brasília realizaram um estudo que investigou justamente a variabilidade genética de acessos de maracujá para avaliar a resistência à bacteriose e à virose do endurecimento do fruto citadas.
 
Foram caracterizados por marcadores moleculares RAPD (“Random Amplified Polymorphic DNA”) acessos de maracujazeiro-doce (Passiflora alata Curtis). Foram nove acessos de população cultivada, oito acessos silvestres, um acesso de Passiflora quadrangulares e um acesso de Passiflora edulis.
 
A partir da análise das distâncias genéticas, os 19 acessos subdividiram-se em sete famílias de similaridade. Verificou-se ainda que os acessos silvestres foram os que mais contribuíram para a ampliação da base genética.
 
A partir dessa análise inicial, apenas nove acessos de maracujazeiro-doce, sete obtidos de população cultivada e dois acessos silvestres, foram levados para a avaliação da resistência à bacteriose e à virose do endurecimento dos frutos, realizada em condições de campo e em casa de vegetação.
 
No estudo da resistência à bacteriose em condições de campo, não foi verificado efeito significativo entre as famílias de acessos, sendo constatada uma alta variação entre parcelas para todas as características avaliadas. Diferentemente, em condições de casa de vegetação, verificou-se um efeito altamente significativo das sete famílias para todas as características avaliadas aos 10 e 15 dias após inoculação.
 
No estudo da resistência a virose do endurecimento do fruto, a porcentagem de plantas com expressão dos sintomas variou de 42% a 92% em condições de campo. Em condições de casa de vegetação, variou de 60% a 100%.
 
Considerando apenas a incidência da doença, os dois acessos silvestres apresentaram maior grau de resistência, tanto em campo quanto em casa de vegetação. Já os acessos de população cultivada foram os que tiveram maior grau de suscetibilidade à virose. Nestes acessos, observou-se que o número de plantas com sintoma ultrapassou 63%, sendo que, em alguns casos, este valor alcançou 100%.