Uma parceria do Programa Rio Rural, da secretaria estadual de Agricultura, com o governo da Alemanha, o Projeto Integração de Ecotecnologias e Serviços para o Desenvolvimento Rural Sustentável no Rio de Janeiro – Intecral vem realizando pesquisas para viabilizar o acesso a tecnologias adequadas à agricultura familiar no estado. Na última semana, como parte das ações do projeto, a pesquisadora Juliana Minetto Paris, da Universidade de Ciências Aplicadas de Colônia, defendeu sua tese de mestrado, analisando cadeias de valor na olericultura e cafeicultura, importantes atividades agrícolas das regiões Serrana e Noroeste Fluminense.
Realizado em quatro microbacias trabalhadas pelo Rio Rural, o estudo teve como objetivo apoiar a tomada de decisões pelos agricultores e o desenvolvimento de programas e políticas públicas para as duas cadeias produtivas selecionadas. O trabalho envolveu a realização de oficinas e entrevistas com agricultores, varejistas, atravessadores, representantes de entidades governamentais e outras organizações. Na Serra fluminense, a pesquisa foi realizada em Nova Friburgo, nas microbacias Barracão dos Mendes e Santa Cruz, enquanto no Noroeste Fluminense o trabalho se concentrou no município de Varre-Sai, envolvendo os produtores de café das microbacias Varre-Sai e Ribeirão da Onça.
De acordo com a pesquisadora Juliana Paris, a análise das cadeias de valor possibilita identificar grupos prioritários de intervenção, apontar os gargalos e indicar tecnologias e soluções adequadas para os principais problemas.
"Na olericultura, um dos desafios é facilitar ligações dos agricultores com setores especializados, viabilizando o processamento e a venda direta, estabelecendo assim relações mais vantajosas para os pequenos produtores - enfatizou Juliana, que nasceu no interior de São Paulo e fez o mestrado em Colônia, na Alemanha".
Outro fator analisado na pesquisa foi o papel do cooperativismo no fortalecimento da cadeia do café.
"Muitos produtores se sentem desmotivados, devido ao fechamento de cooperativas na região. Mas a recente reativação da Cooperativa de Café do Noroeste - Coopercanol, em Varre-Sai, contribuiu para elevar o moral dos agricultores. O trabalho dos comitês gestores das microbacias, unidades de implementação do Rio Rural, são importantes para promover o sentido de união entre os agricultores", explicou a pesquisadora.
Em julho deste ano, foi inaugurada a unidade de rebeneficiamento de café da cooperativa, com investimentos do BNDES, do Ministério da Agricultura e da secretaria estadual de Agricultura do Rio de Janeiro, buscando agregar valor ao produto, principalmente através da melhoria da qualidade, padronização e obtenção de melhores preços de venda.
A banca examinadora foi composta pela orientadora do trabalho, Sabine Schlüter, que coordena as ações do Projeto Intecral, e por Helga Hissa, coordenadora técnica do Rio Rural. Na avaliação de Hissa, a tese contribui para os trabalhos que estão sendo feitos pelo programa para fortalecer as cadeias produtivas da agropecuária.
"O estudo foi concluído em um momento muito oportuno, porque o Rio Rural está buscando soluções para essas cadeias, que funcionam de modo distinto", declarou. A principal recomendação da banca foi a apresentação dos resultados para os agricultores e atores locais, como uma forma de unir a avaliação científica com suas experiências práticas.