Pesquisa estuda cobre em solos cultivados com videira na Serra Gaúcha

Amostras de solos cultivados há 40 anos na Embrapa Uva e Vinho foram coletados para a realização da pesquisa

Aline Jesus
Solo

Considerada a maior produtora de uva para a elaboração de vinhos do Brasil, a Serra Gaúcha possui videiras que são submetidas a aplicações sucessivas de calda bordalesa para o controle de doenças fúngicas. Experimentos realizados pela Embrapa Uva e Vinho determinaram as formas de cobre e a cinética de dessorção em solos cultivados com a videira e submetidos a várias aplicações de fungicidas cúprios. Os pesquisadores coletaram, em abril de 2006, amostras de solos (camadas de 0 a 20 e 20 a 40 centímetros) em um vinhedo cultivado há 40 anos, localizado na Embrapa Uva e Vinho. Na época, o vinhedo da cultivar Isabel foi conduzido em latada; e bem próximo foi coletado um solo neossolo litólico sob mata natural e sem histórico de cultivo.

Quanto aos resultados de fracionamento químico do cobre no solo, percebeu-se que a quantidade de cobre nas camadas superficiais do solo são maiores que a capacidade de sorção, ocorrendo assim a percolação do elemento no perfil do solo. Sob mata natural, na camada de solo 0 a 20 e 20 a 40 centímetros o conteúdo total de cobre foi similar. Na sua distribuição, 70% do cobre foi encontrado na forma residual e 25% à matéria orgânica.

Dos solos cultivados com a videira, mais da metade do cobre total permaneceu na fração residual, que é adsorvido com alta energia de ligação. O cobre adsorvido na matéria orgânica do solo representou 26% do cobre total do solo. Já a fração mineral sorveu em média, 14% do cobre total. Os demais extratores químicos dessorveram baixa quantidade de cobre, concordando com os resultados obtidos com o solo da camada de 0 a 20 centímetros.

A respeito da cinética de dessorção de cobre, o teor aumentou 74 e 9,5 vezes para a camada de 0 a 20 e 20 a 40 centímetros, respectivamente em comparação ao solo sob mata natural. O resultado já era esperado pelos, visto que em solos com alto teor de cobre a capacidade de dessorção aumenta porque há um menor grau de covalência, especialmente associado às cargas permanentes dos argilominerias.