Pesquisa identifica pragas e orienta manejo adequado do pinhão manso

Objetivo é avaliar a ação dos ácaros e insetos, as épocas de ocorrência, os locais de ataque e os métodos de monitoramento

Monique Dutra
Sanidade Vegetal

A possibilidade de produzir biodisel a partir do pinhão manso suscitou novas perspectivas no meio científico, mas os produtores se deparam com uma dificuldade cada vez maior de identificar e controlar as pragas da cultura. Para reverter esse quadro, o pesquisador Harley Nonato de Oliveira, da Embrapa Agropecuária Oeste, realiza uma série de pesquisas sobre as principais pragas do pinhão manso e as formas adequadas de manejo.

O trabalho está na fase inicial, com os objetivos de identificar as pragas e avaliar a distribuição temporal e vertical, visando subsidiar amostragens de ácaros e insetos para determinar o manejo coreto. O estudo já diagnosticou duas situações no campo: plantas que apresentam amarelecimento das folhas com posterior necrose das bordas para o meio, culminando na queda, e folhas apresentando rugosidade, também com posterior queda. Plantas que possuem esse tipo de sintoma têm o desenvolvimento e a produção comprometidos.

O objetivo é identificar
as pragas, as épocas
de ocorrência e os
locais de ataque


 Harley Nonato,
 Embrapa Agropecuária Oeste


— Os primeiros resultados apontaram que a colonização da cigarrinha verde inicia no final do ano e apresenta maiores populações nos primeiros meses do ano seguinte. A pesquisa visa também verificar o efeito de diferenças climáticas na incidência desse inseto, pois em regiões onde o período outono-inverno é mais quente e chuvoso as plantas permanecem enfolhadas e essa permanência ou não das folhas na planta pode afetar a incidência dos insetos na cultura. O objetivo final é que o produtor saiba quem é o principal alvo, as épocas de ocorrência, o local onde se dá o ataque e os métodos de monitoramento — explica o pesquisador.

Os experimentos são feitos em diferentes regiões do Mato Grosso do Sul, para observar as influências de variações climáticas nessas incidências de pragas.  Plantas das diferentes unidades experimentais são coletadas e amostradas através da avaliação e contagem direta de insetos e ácaros presentes nas folhas do pinhão manso e em armadilhas adesivas que são instaladas na cultura.

O projeto é uma parceria entre a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (FUNDECT).