Pesquisa inédita desenvolve viticultura de precisão

Winfried Blum, um dos pesquisadores mais importantes em ciências do solo no cenário internacional, aborda potencialidades do biocarvão

Pedro Zuazo
Manejo

Uma proposta de pesquisa inédita no Brasil pretende criar ferramentas para desenvolver uma viticultura de precisão. Atualmente, algumas empresas privadas já atribuem esse termo a agricultores que utilizam boas práticas de produção, mas até agora não foi criada uma tecnologia específica para reduzir o uso de insumos e aumentar a qualidade do vinho nacional. O projeto de pesquisa, da Embrapa Uva e Vinho, foi apresentado no Congresso Brasileiro de Agricultura de Precisão, que acontece em Ribeirão Preto (SP).

|BARRA_AUDIO|

De acordo com Alberto Miele, pesquisador da Embrapa, há dois trabalhos sendo iniciados simultaneamente com o mesmo foco, um na região da serra gaúcha, em Bento Gonçalves, e outro no Vale do São Francisco. Nos vinhedos em que estão sendo feitos experimentos, o objetivo dos pesquisadores não é alcançar uma boa produtividade, mas uma qualidade que torne os produtos mais competitivos.

— Nas culturas, em geral, o que se procura é um aumento da produtividade. Quanto maior a produtividade, melhor. No caso dos vinhos finos, o que se procura não é a produtividade, e sim a qualidade. Quanto maior a produtividade do vinhedo, menor a qualidade da uva e menor a qualidade do vinho. Então, o que está se objetivando com isso é usar ferramentas de agricultura de precisão na viticultura visando a qualidade do vinho — explica Miele.

A proposta de pesquisa tem duração de quatro anos e o trabalho será realizado com vinhedos que apresentem diversidade de solos.  Na primeira etapa, serão instalados sensores para medir a condutividade elétrica do solo. A mesma avaliação será realizada em laboratórios, durante a fase do levantamento de solos, para depois ser comparada com a primeira medida. Também serão avaliados o teor de clorofila das folhas, com o auxílio de um clorofilômetro, e será determinado o índice de vegetação por diferença normalizada.

Após isso, haverá um estudo de altimetria, com GPS e imagens aéreas, para avaliar as diferenças dos solos. A partir daí serão recomendados diferentes insumos, de acordo com as particularidades da vinícola. Os vinhos produzidos a partir dos experimentos serão submetidos a uma série de análises psico-químicas e sensoriais.

Participam do trabalho de pesquisa pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho, da Embrapa Clima Temperado, da Embrapa Semiárido e da Embrapa Instrumentação Agropecuária.