Pesquisa monitora fronteira do extremo Norte do Brasil

Sistema água-solo-floresta é um dos temas abordados no Projeto OSE Guyamapá, fruto da cooperação científica entre Brasil e França

Luena Barros e Ana Laura Lima
Manejo

Nesta segunda-feira (23), pesquisadores brasileiros e franceses apresentam, em Belém (PA), os resultados do Projeto OSE Guyamapá, fruto da cooperação científica entre Brasil e França. O projeto monitorou impactos da exploração dos recursos naturais nas fronteiras dos estados brasileiros do Pará e Amapá com a Guiana Francesa, com o objetivo de promover a gestão integrada de territórios transfronteiriços. O OSE Guyamapá é desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento, Embrapa, Museu Paraense Emílio Goeldi, Instituto de Pesquisas Espaciais – Centro Regional da Amazônia e Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra).

Para identificar o estado atual dessa parte da Amazônia foram realizados estudos diversos, incluindo análises de imagens de satélite feitas durante o período de 2007 a 2014. No evento, os pesquisadores vão apresentar os resultados do projeto nas seguintes áreas: geomática, complexo água-solo-floresta, espaço litoral, risco de transmissão palúdica e meio ambiente, além de dinâmicas antropogênicas rurais. O objetivo é apresentar os indicadores do patrimônio natural transfronteiriço e promover trocas entre a comunidade científica e gestores do meio ambiente.

Bacia do Oiapoque
O território da bacia do Rio Oiapoque localiza-se entre Pará, Amapá e Guiana Francesa e encontra-se sob a influência da descarga sedimentária do Rio Amazonas e das forças oceânicas regionais. As águas, ricas em nutrientes e em recursos pesqueiros, são protegidas através do Parque Natural Regional da Guiana Francesa e do Parque Nacional do Cabo Orange, no Amapá. Ao sul, outras duas áreas abrangem florestas tropicais: o Parque Amazônico, na Guiana Francesa, e o Parque de Tumucumaque, no Brasil. Uma rodovia e uma ponte atravessam o leste Guianês e o norte do Amapá, ligando os centros urbanos de Saint Georges (Guiana Francesa) e de Oiapoque (AP).

As principais ameaças à natureza são a extração mineral ilegal, especialmente o garimpo de ouro, extração ilegal de madeira e produtos não-madeireiros, além da ocupação irregular na calha do Rio Oiapoque. Através do Programa Operacional Amazônia, a Guiana Francesa e o Amapá buscam desenvolver abordagens integradas como bases de gestão coerente dos espaços fronteiriços.

Evento
O seminário final do projeto OSE Guyamapá será realizado na segunda-feira (23), de 8h30 as 12h30, no Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi (Avenida Perimetral, 1901). Na ocasião, o Museu Goeldi assina acordo de cooperação com o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento.

Programação
8h30 - Recepção dos participantes
9h – Abertura e programação da restituição
9h30 – Apresentação geral do projeto Guyamapá – IRD
Apresentação sintética das atividades:
Geomática – IRD/INPE
Complexo água-solo-floresta – Embrapa Amapá
Dinâmicas de antropização – IRD/MPEG/UFRA
Espaço litoral – IRD
Risco de transmissão palúdica e meio ambiente – IEPA/IRD
11h30 – Intervalo
11h45 – Apresentação do Geoportal Guyamapá – IRD
12h00 – Discussão final: "Balanço e perspectivas da cooperação OSE Guyamapá"
12h30 - Encerramento