Pesquisa testa cultivares de pinhão manso para produção de biodiesel

A baixa produtividade, a suscetibilidade a pragas e doenças, a desuniformidade na floração e maturação dos frutos são alguns dos desafios enfrentados pelos pesquisadores na produção do biodiesel com pinhão manso

Monique Dutra
Manejo

A produção de biodiesel com o uso do pinhão manso como matéria-prima precisa vencer diversos desafios para realmente atingir sua viabilidade. Entre eles estão a baixa produtividade, a suscetibilidade a pragas e doenças e a desuniformidade na floração e maturação dos frutos. Esses são os principais objetos do estudo realizado pelo pesquisador Júlio César Albrecht, da Embrapa Cerrados.

De acordo com o pesquisador, alguns aspectos agronômicos estão sendo avaliados: densidade de população de plantas e diferentes manejos de poda.

— Ao contrário do que se imaginava, os trabalhos apontam que a planta é exigente em termos de fertilidade. Ela sobrevive em diversos ambientes, mas um solo fértil é necessário para que ela tenha maior produtividade. Outro aspesto é o desconhecimento de populações ideais de plantas. E ainda o melhor tipo e momento de poda. Esse trabalho está sendo feito para identificar onde a planta vai se adaptar melhor, onde ela terá melhor qualidade de óleo e melhor produtividade — acrescenta o pesquisador.
 
Outro problema observado foi a desuniformidade na floração e maturação dos frutos. O que inviabiliza a mecanização da colheita. E ainda a colheita manual, que aumenta os custos da produção. Albrecht explica que o fruto deve ser produzido em alta escala e para isso são necessários maquinários específicos.

Albrecht: "O fruto precisa ser domesticado para ser usado como matéria prima." 

Os experimentos começaram há dois anos com a criação de um programa de melhoramento genético do pinhão manso. Inicialmente, estão sendo selecionadas plantas de diferentes populações, coletadas em quintais de fazendas, beira de rios e cercas vivas de norte a sul do país. 

— Após as avaliações, os materiais selecionados serão utilizados no programa de melhoramento que tem como principal objetivo selecionar plantas que superem a baixa produtividade, que tenha boa qualidade do oléo e que tenham resistência às principais pragas e doenças que ocorrem no Cerrado — explica Albrecht.

O pesquisador acredita que será possível lançar uma variedade de pinhão manso daqui a 10  ou 15 anos.  E o esperado é que o pinhão manso tenha um potencial de produção de  no mínimo de 1200 litros por hectare.