Pesquisador do Iapar publica livro sobre doenças do trigo

Iapar
Sanidade Vegetal

 

A editora Springer, uma das mais renomadas no mundo em publicações técnico-científicas, lançou recentemente o livro Wheat Diseases and Their Management (Doenças do Trigo e Seu Controle), do pesquisador aposentado e atual colaborador do Iapar, Dr. Yeshwant Ramchandra Mehta.

O livro é resultado de um intenso trabalho e da experiência acumulada em seus mais de 40 anos na Fitopatologia - ciência que estuda as doenças das plantas - e apresenta importantes informações relacionadas aos estresses bióticos e abióticos que afetam negativamente a produção de trigo.

São agentes bióticos os insetos, pragas e fungos. Já os abióticos são aqueles​
provocados sem a participação de organismos vivos, como defict hídrico, por exemplo. A publicação relata também a re-emergência de velhas doenças e a ocorrência de novas raças de agentes causadores de doenças no mundo. Aborda ainda aspectos de sustentabilidade da produção do trigo, através da agricultura de precisão, e destaca a importância do cultivo conservacionista.

Com 250 páginas e escrita em inglês, a obra assinada por Dr. Mehta terá alcance internacional. “O livro será útil em vários países, pois trata de vários aspectos de problemas mundiais, já que a maioria das doenças são comuns”, explica o pesquisador, destacando o provável interesse para estudantes, produtores, pesquisadores e profissionais da área de assistência técnica.

Currículo
Nascido em 1938 na cidade de Gwalior, na India, Dr Mehta veio para o Brasil em 1972 e integra os quadros do Iapar desde sua criação, em 1975. Durante três anos foi também consultor do Banco Mundial, na Bolívia, na década de 1990. Formou-se em Agronomia pela Universidade Vikram, na Índia; tem mestrado e doutorado em Fitopatologia pelas universidades indianas Vikram e University of Poona, respectivamente, e pós-doutorado em Epidemiologia de Ferrugem da Folha de Trigo, pela Universidade Wageningen, da Hollanda.

Autor de outros três livros, lançados nos anos de 1978, 1993 e 1994, o pesquisador admite que ter uma obra publicada pela editora Springer, conceituada internacionalmente, é uma satisfação muito grande, que dá visibilidade à pesquisa realizada e consequentemente ao nome Iapar. “Por três anos me dediquei a escrever o livro. É um trabalho de muito responsabilidade, num processo que chega a ser doloroso”, avalia.

Mais de 40 anos de história
Aposentado do Iapar há sete anos, Dr Mehta segue na ativa atuando como colaborador do Instituto por meio de parcerias com empresas privadas. Atualmente, desenvolve pesquisas em contrato com o Instituto Mato-grossense do Algodão (IMA), num trabalho de biotecnologia aplicada que busca identificar marcadores moleculares ligados à ramularia – doença fúngica do algodão, cujo controle envolve amplo uso de fungicida e custo elevado.

Em tantos anos de história no Iapar, são muitos os marcos e histórias para contar. Quando chegou ao Instituto em Londrina, em 1975, assumiu o Laboratório de Patologia de Sementes e destaca a realização de um workshop latino-americano, que alcançou grande destaque. “O laboratório de patologia de sementes do Iapar foi o primeiro do Brasil”, orgulha-se.

Dr. Mehta avalia que sua relação e permanência no Iapar ao longo da carreira tem sido muito agradável, diante de todas as facilidades de trabalho e pesquisa que o Instituto oferece. “Foi possível fazer algumas inovações de pesquisa em patologia de semente e também em manejo integrado de doenças, porque essa prática antes não era muito bem entendida. Nós que introduzimos esse conceito, ainda na década de 1970, com ênfase em manejar as doenças com várias técnicas e não apenas com uso de fungicidas”, explica.

Para ficar na memória
Ao longo de sua carreira, Dr. Mehta dedicou-se principalmente ao estudo das doenças do trigo, mas trabalhou também com várias outras culturas, como algodão, feijão, soja e aveia. E está ligada ao algodão uma das passagens mais interessantes de sua carreira.

O ano era 1995 e o Iapar acabara de lançar sua primeira variedade de algodão, com resistência à alternaria - uma doença foliar muito importante naquela época.

Aconteceu que, dentro de um ano do lançamento da variedade, as lavouras começaram a ser fortemente infectadas por uma doença que supostamente seria a alternaria, causando enormes danos. “Muitos agricultores perderam lavouras e ameaçaram entrar com processos contra o Iapar, porque alegavam que a doença em questão era a alternaria e que a variedade comprada deveria ser resistente a ela”, lembra o pesquisador.

Em meio à crise, o então presidente do Instituto, Wilson Pan, convidou Dr. Mehta para trabalhar com algodão e pesquisar a doença, que estava prestes a causar um grande prejuízo em possíveis indenizações. O desafio foi aceito. “Eu era chefe da Divisão de Plantas e toda a equipe se envolveu na pesquisa. Foram cinco meses de trabalho em tempo integral para descobrir que a doença em questão não era alternaria, mas sim uma nova patologia, a Stemphylium”, recorda. O Iapar fez então uma coletiva de imprensa, tudo foi esclarecido e o temor pelos processos na Justiça ficou para trás.

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