Nada se perde da macaúba, uma espécie de palmeira nativa do Brasil. A polpa do fruto é altamente nutritiva, o óleo semelhante ao azeite de oliva e da parte que envolve a castanha pode originar um carvão de boa qualidade para a utilização em filtros para purificação da água.
Agora a mais nova alternativa da macaúba está na produção de biocombustíveis, tema de um projeto de pesquisa desenvolvido pela Embrapa Agroenergia em cooperação com o Centro Mundial Agroflorestal (Icraf). A atividade faz parte do Programa para o Desenvolvimento de Cultivos Alternativos para Biocombustíveis, no qual a Embrapa representa o Brasil no comitê diretivo.
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Alexandre Cardoso, engenheiro agrônomo da Embrapa Agroenergia, ressalta os benefícios da macaúba e os objetivos do projeto:
"A macaúba tem demonstrado em vários estudos um potencial muito alto para a produção de óleo, mas ela também tem um apelo em algumas regiões para a produção de alimentos tradicionais (como farinhas). O potencial de produção de óleo está na ordem de 4 a 6 toneladas de óleo por hectare e esse é um número bastante significativo considerando as alternativas que nós temos, e também a utilização, de após extraído o óleo, dos sub-produtos do coco, da macaúba, tem outros usos. Nós vamos ter uma primeira fase até o final de 2016 e pensando na cultura da macaúba porque é uma cultura de longo período de desenvolvimento, assim como o coco e outras culturas perenes. O objetivo agora realmente é implantar o experimento em locais que possam ter algum impacto no futuro e gerar conhecimentos para essa cultura, que não é domesticada, a inserção dela em sistemas integrados também é algo que estamos pesquisando e precisamos gerar muito conhecimento antes de poder chegar a dizer que isso é efetivo e que isso vai gerar um impacto desejado”.
Além de ser uma nova matéria-prima para a produção de biocombustíveis, a macaúba também é visualizada como uma alternativa importante para o desenvolvimento econômico e sustentável de comunidades rurais do Nordeste brasileiro:
“Essa fonte de biomassa (macaúba) oferece tanto uma oportunidade de fornecimento de energia quanto de alimentos para a região. A região, talvez bem mais do que outras, carece dessa autonomia de fontes que possam promover localmente essa energia e alimentos. Esse é o grande motivo de colocar na região Nordeste, porque, como o projeto é voltado para comunidade rurais, lá existiria uma carência bem maior dessa autonomia que pode ser no futuro possibilitada por essa integração com a macaúba. Esse programa que está nos possibilitando essa parceria trabalha preferencialmente com comunidades rurais, com pequenos produtores, que seria o nosso tema de agricultores familiares. Existe muito conhecimento que deve ser adquirido ainda, não existe nada pronto, mas a ideia seria trabalhar com uma agricultura de pequeno porte, com pequenos produtores, e o sistema integrado nesse caso é muito mais favorável do que uma monocultura. Em termos de Brasil houve realmente um interesse em colocar esse projeto na região Nordeste para tentar atender algumas dessas regiões mais carentes e comunidades que poderiam ter benefícios futuros com esse tipo de abordagem integrada”.
A fase inicial do Programa para o Desenvolvimento de Cultivos Alternativos para Biocombustíveis está focada em países da América Latina, África e Ásia. Em 2013, as atividades começaram em comunidades da Índia. No Brasil, o programa é executado no Nordeste onde a Embrapa já vinha avançando na prospecção de espécies nativas com potencial para uso na produção de biocombustíveis.