Pesquisas viabilizarão a produção de etanol no Rio Grande do Sul

Produzir etanol no Rio Grande do Sul é um dos principais questionamentos dos visitantes no estande da Embrapa Agroenergia (Brasília/DF) na 33ª Expointer, em Esteio/RS

Breno Lobato, Daniela Collares e Monalisa Leal Pereira
Agroenergia

Todo o etanol consumido no Estado é produzido em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Para mudar essa situação a Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária iniciou estudos para adaptar variedades de cana-de-açúcar adequadas ao clima temperado. As pesquisas estão sendo coordenadas pela Embrapa Clima Temperado, Embrapa Agroenergia e Universidade Federal do Paraná.

De acordo com o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-açúcar (www.cnps.embrapa.br), publicado em setembro de 2009, o país dispõe de cerca de 60 milhões de hectares com alta e média aptidão para o cultivo dessa cultura. O estado do Rio Grande do Sul tem alta aptidão para expansão do cultivo da cana-de-açúcar de 105.000 hectares e média de 1.200.000. As áreas adequadas para produção estão na região das Missões, entre Santo Ângelo, São Borja e Santa Rosa e na região central em uma faixa que vai de Montenegro até Alegrete, passando por Santa Maria e Cachoeira do Sul.

Em um projeto financiado pela FINEP, experimentos foram implantados, há 3 anos, em 10 municípios gaúchos com 260 variedades e clones provenientes da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sulcroalcooleiro - Ridesa. De acordo com o líder do projeto, Sérgio Delmar dos Anjos, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, também estão sendo avaliados 83 acessos coletados no próprio Estados. “Esses acessos são precoces e tolerantes ao frio. Dentro em breve poderemos ter variedades recomendadas para o Estado”, declarou o pesquisador.

Além da produção do etanol a partir do caldo de cana, pesquisas estão em andamento para utilizar sorgo sacarino, batata doce e mandioca como matérias-primas. Pensando no futuro, pesquisadores da Embrapa já estão trabalhando na utilização do bagaço da cana, capim elefante, resíduos agrícolas e florestais como matérias-primas para fabricar etanol de 2ª geração ou lignocelulósico. “Aproveitar o bagaço da cana-de-açúcar permitirá ampliar em até 40% a produção desse bicombustível sem aumentar a área cultivada”, afirma o Chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Agroenergia, José Manuel Cabral.

No processo, são utilizadas enzimas para transformar a celulose e a hemicelulose em açúcares e uma parte da pesquisa busca isolar novas enzimas que possam catalisar as reações com maior eficiência e produtividade. As pesquisas com enzimas são realizadas pela Embrapa Agroenergia, em colaboração com a Embrapa Caprinos e Ovinos e com a Universidade Católica de Brasília. Outra parte do projeto, conduzida pela Embrapa Uva e Vinho (Bento Gonçalves/RS) está avaliando leveduras para a fermentação de açucares de cinco e de seis carbonos. Conforme o pesquisador Gildo Almeida, da Embrapa Uva e Vinho, as leveduras viníferas têm bom potencial para produzir etanol a partir dos hidrolizados de resíduos celulósicos. “O Brasil é o único país que tem condições plenas para produzir etanol a partir de matérias-primas sacarinas, amiláceas e celulósicas”, declarou Almeida.

Essa tecnologia está sendo apresentada pela Embrapa Agroenergia na Casa da Tecnologia, na Expointer (Exposição Agropecuária Internacional), das 9 às 19 horas, até domingo, 05.09. Outras informações sobre a tecnologia podem ser acessadas no site da Embrapa Agroenergia.