Piscicultura como alternativa

Agricultores podem substituir plantações de fumo pela criação de espécies exóticas de peixes

Breno Fonseca
Agricultura Familiar

Oferecer tecnologias alternativas na área da piscicultura para os produtores de fumo do Vale do Rio Pardo e para os pescadores artesanais do Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Esse é o objetivo do projeto “Validação, fomento e disponibilização de alternativas produtivas para agricultura familiar em piscicultura”, da pesquisadora Saionara Araújo Wagner, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Tanto espécies de peixes nativos quanto exóticos podem ser criados com metodologias em acordo com a realidade de cada região.

A partir dos 24 centros de estudo da Fepagro distribuídos por todo o estado, um grupo de pesquisadores percorreu as duas microrregiões e conversou com agricultores, dirigentes e sindicalistas, levantando as necessidades de alternativas viáveis para novas formas de produção. No território litorâneo, a principal meta foi entender a organização de trabalho dos pescadores artesanais. Por conta disso, profissionais das Ciências Sociais foram acionados. Foi detectado que os pescadores não tinham o hábito de alimentar os peixes utilizando ração. Assim, ao invés dos açudes, a técnica apontada foi a de criação em quatro cercados, onde os alevinos recebem alimentos sem a interferência de agentes externos, como predadores ou outras espécies como a traíra. Com isso, os peixes ganham peso mais rápido e, depois de um período de quatro a cinco anos, podem ser retirados.

Já para os agricultores familiares, foi disponibilizada a tecnologia de criação de espécies exóticas em tanques de rede, alimentadas com ração. A primeira safra foi verificada em abril de 2009 e, de acordo com a pesquisadora, as redes serviram para a proteção de espécies como a tilápia.

— A ideia do projeto é que esses animais fiquem protegidos na rede em volta e em cima. Então, a gente tem quase que a garantia da totalidade. Tivemos perda de menos de 1%. A vantagem é que o agricultor coloca "x" alevinos e pode fazer uma projeção de que vai tirar o mesmo número de peixes que ele colocou — destaca Saionara Wagner, completando que as vantagens ainda alcançam a economia de água, já que a secagem de açudes deve ser feita anualmente ou de dois em dois anos.