Plantas espontâneas em cultivos consorciados

Estudo inédito tenta desvendar o comportamento de espécies naturais em canteiros de hortaliças e plantas medicinais

Breno Fonseca
Manejo

O ineditismo chama a atenção no estudo da pesquisadora Janaína Ribeiro Oliveira sobre a “Caracterização citociológica em consórcio de plantas medicinais e hortaliças”. O objetivo foi fazer um levantamento florístico da distribuição de espécies espontâneas no cultivo consorciado do alface americano e cenoura com melissa e manjericão. Realizada no Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), de julho a setembro de 2008, a pesquisa visa entender o comportamento de plantas espontâneas em canteiros consorciados e de monocultivo.

Foram produzidas três avaliações, a primeira em julho e as outras, de 30 em 30 dias. Com dez tratamentos, solteiros e em conjunto, e cinco repetições, a coleta de dados foi feita pelo método do quadrado inventário, em que este era jogado aleatoreamente em cada canteiro por três vezes. Com 0,25 metro quadrado, o equipamento servia para delimitar a área de coleta. Em seguida, as plantas espontâneas eram identificadas com base em literatura e colocadas em sacos de papel separadamente, para serem pesadas a biomassa e, após a secagem em estufa, a matéria seca.

As características observadas foram densidade, frequência, dominância e abundância (absoluta e relativa para todas) e o índice de valor de importância. Foram encontrados 24,7 indivíduos por metro quadrado, divididos em 15 espécies, 15 gêneros e 10 famílias botânicas em toda a área analisada. O maior número de plantas espontâneas encontradas, em todos os tratamentos, foi o das gramíneas da família Poaceae. Também estiveram presentes nos resultados o sorgo e a euforbia, em diferentes combinações entre as plantas medicinais e as hortaliças. No entanto, Janaína Oliveira comenta que algumas categorias detectadas na primeira avaliação não se apresentaram nas amostras posteriores.

A pesquisadora ressalta que o trabalho serve como subsídio para estudos posteriores. Só depois da repetição de outros experimentos é que se pode ter a certeza se os consórcios realmente foram os fatores determinantes para a diminuição do índice de plantas espontâneas.