Plantas medicinais podem combater doença do feijão-vagem

Pesquisa da Unesp constata que a aplicação da tintura L. alba intensifica o mecanismo de defesa da planta

Nivea Schunk
Sanidade Vegetal

Sob a orientação do professor Antônio Carlos Maringoni, da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp Botucatu, a tese de doutorado em proteção de plantas da engenheira agrônoma Sandra Cristina Vigo contemplou, entre outros tópicos, a ação de tinturas e óleos essenciais de plantas medicinais sobre o crestamento bacteriano comum no feijoeiro. A constatação da potencialidade do uso da técnica no feijão-vagem deu origem ao artigo homônimo, vencedor do Prêmio Summa Phytopathologica 2009, da Associação Paulista de Fitopatologia.

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Aliados a estudos em casas de vegetação com pulverizações dessas substâncias em concentrações variadas nos vegetais, os experimentos também compreenderam cultivo in vitro em condições laboratoriais. O professor explica que a partir da etapa da inoculação com o patógeno, começa a fase de verificação da eficácia de cada produto no controle da doença.

Com desempenho mais satisfatório nos testes de tolerância à bactéria, a tintura L. alba demonstrou possibilidades de induzir ações reativas na planta. Também conhecida como erva cidreira verdadeira, a espécie provavelmente tem alguns componentes em sua constituição química, que ao entrarem em contato com a superfície vegetal elevam o índice de resistência.

— Verificamos uma redução da incidência da enfermidade nos indivíduos que receberam aplicações da L. Alba. Além disso, observamos o aumento de determinadas enzimas relacionadas com ao mecanismo de defesa da planta, como a peroxidase — revela.

Segundo Maringoni, a ausência de compostos suficientemente eficazes no mercado para enfrentar a maioria das doenças bacterianas deve incentivar o desdobramento da iniciativa. No entanto, para alcançar os produtores rurais, as recomendações de uso ainda dependem de experimentações de campo repetidas em várias regiões do país.