Plantio de hortaliças sobre cobertura viva beneficia o solo

Tecnologia é alternativa para o manejo intensivo que a cultura exige

Margareth Santos
Manejo

O sistema de plantio em cobertura viva traz para a agricultura orgânica uma técnica de plantio sem revolvimento do solo. A pesquisa, desenvolvida pela Embrapa Hortaliças sob a coordenação do doutor Francisco Vilela Resende, utiliza o amendoim forrageiro para a cobertura viva, preservando a camada e fixando o nitrogênio.

— Foram avaliadas diversas hortaliças sobre essa cobertura e o sistema funcionou bem para alface, repolho, feijão-vagem e tomate. Inclusive, no cultivo do tomate, foi possível aumentar a produtividade, com duas colheitas adicionais, e prolongar a longevidade da cultura — comenta.

"Tecnologia diminui 
 preparo do solo e
 ajuda no aspecto
 
fitossanitário"

 Francisco Vilela Resende,
 da Embrapa Hortaliças

O sistema oferece o benefício de manter o solo mais intacto, estruturado e com suas características biológicas. Do ponto de vista econômico, o produtor também economiza com as operações de preparo do solo, já que a cobertura viva é permanente e permite que vários ciclos sejam plantados antes da necessidade de troca. Em função da proteção dada por meio da cobertura, a cultura não sofre contaminação (que resvala da irrigação e da chuva), preservando-a no aspecto sanitário e elevando a produção.

— O processo funciona tanto para hortaliças de folhas quanto para as de frutos, exceto para as de raízes, como a cenoura. Nós testamos, além do amendoim forrageiro, as gramas batatais e a grama esmeralda, sempre comparando-os ao cultivo tradicional de canteiros e solos preparados. No caso das hortaliças de frutos, com a cobertura do amendoim, os resultados foram bem melhores do que no solo descoberto — destaca.

 Tomate cultivado
 em cobertura viva
 de amendoim
 forrageiro

Direcionada para a agricultura orgânica, a ideia surgiu a partir da preocupação dos produtores com a preservação e decomposição de matéria orgânica, e em criar formas de evitar ao máximo o revolvimento do solo, afinal, isso expõe os micro-organismos e desestrutura o ambiente. De acordo com o pesquisador, a tecnologia é uma alternativa para a cultura de hortaliças, que exige um manejo intensivo, ao diminuir o preparo do solo, elevar a produtividade e colaborar com o aspecto fitossanitário do cultivo.