A constatação de que o Plantio Direto contínuo contribui para o acúmulo de carbono no solo orientou uma parceria de pesquisa entre a Embrapa Arroz e Feijão e a Universidade Federal Fluminense (UFF). O trabalho conseguiu aferir, em quilogramas por hectare, a quantidade de gás carbônico captado com a aplicação desse sistema de manejo.
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Pesquisador da Embrapa, Pedro Machado explica que a semeadura de soja, milho e feijão sobre palhada oferece melhores condições para formação de pequenos torrões, tecnicamente denominados agregados do solo.
— Produto da ação bioquímica, essas estruturas compostas de partículas aderentes de matéria orgânica evitam a decomposição dos resíduos e preservam o meio ambiente do fluxo de CO2 — define Machado.
A partir de coletas sistemáticas dos primeiros cinco centímetros da superfície nas áreas selecionadas, a análise de classificação de tamanho desses agregados é feita em laboratório. Através de um cromatógrafo a gás, a investigação científica revelou que o sistema de Plantio Direto evita a emissão de 61 quilos de carbono a cada hectare por hora para atmosfera.
Com o plantio convencional esse índice cai para 26 quilos. A limitação se deve ao revolvimento constante provocado pela aração e gradagem, causando maior exposição do material.
As práticas conservacionistas elevam o nível de proteção à erosão hídrica, que ainda é o maior problema de degradação de terras no Brasil. De acordo com Machado, enfocar somente a produtividade é um conceito ultrapassado.
— A demanda atual valoriza as contribuições da agricultura para a proteção da biodiversidade — explica ele.
