Plantio do milho safrinha após 15 de março não compensa

Fundação MS divulga resultados da safra de 2010, aponta melhores materiais para 2011 e mostra que depois de 15 de março produção dá prejuízo

Juliana Royo
Manejo

A Fundação MS está rodando algumas cidades do Mato Grosso do Sul com o grupo de pesquisadores da instituição para divulgar resultados da safrinha 2010 e fazer recomendações para a safrinha 2011. Uma das principais observações é que o plantio de milho safrinha após dia 15 de março não está dando retorno financeiro aos produtores e, se for considerado somente o milho plantado após esta época, o resultado é prejuízo. A produtividade de milho na região é muito boa e chega a 130 sacas, mas com a colheita do material plantado após o período recomendado esse número cai para 30 sacas, fazendo a média produtiva ficar em 70 sacas por hectare, segundo o pesquisador André Lourenção. Ele diz que o custo de produção é de quase 70 sacas, então os lucros do produtor estão sendo mínimos por causa do plantio atrasado.

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— A época ideal fica entre dia 15 de fevereiro a 15 de março, mas no sul do Estado pode começar um pouco antes. Ele começa colhendo 130 sacas e termina colhendo 30 a 40 sacas por hectare nas últimas épocas e estas últimas produtividades que ele colheu vão roubar o lucro que ele está tendo de quando planta nas épocas ideais. Por isso, é importante plantar na época de semeadura ideal para que a colheita não passe da época e não dê prejuízos. A média produtiva do Estado está em 70 sacas e os custos de produção estão em quase 70 sacas, então isto está muito justo. Se o produtor plantar na época recomendada ele pode melhorar isso. O nosso objetivo é que a pesquisa consiga trazer lucro ao produtor — explica o pesquisador.

Ele recomenda que os produtores plantem outras culturas após o dia 15 de março se não conseguirem fazer todo o plantio a tempo. É importante manter o solo produzindo e coberto com palhada, mas, após a data de semeadura ideal, Lourenção diz que é melhor o agricultor usar outros cultivos como o crambe para não diminuir sua rentabilidade. O pesquisador faz um trabalho de avaliação anual de cerca de 60 híbridos de milho plantados no Estado e disponibiliza uma tabela que contém os resultados das últimas safras para que o produtor tenha mais uma ferramenta ao escolher que material vai utilizar. Ele avalia tanto híbridos simples, como híbridos Bt, que possuem resistência à lagarta-do-cartucho.

— Temos alguns híbridos consagrados já há três anos. Para os híbridos simples, superprecoces, de ciclo rápido, temos o Ag 9010, P30P70. Para os simples precoces, temos o DKB 390, 2B 710 e 30F35. Tem também os híbridos novos que são promessas como o AGN 30A91 Herculex e AGN 30A37. A Fundação realiza todos os anos este trabalho de difusão de tecnologia e o nosso objetivo é sempre somar ao produtor e oferecer ferramentas a mais para ele atingir a rentabilidade que ele precisa. A presença dos produtores nos eventos é muito importante — ressalta Lourenção.

Foto na home: Alf Ribeiro / imagem-editorial.blogspot.com