Visando maior rentabilidade, os produtores de soja têm adotado o plantio tardio, técnica que cresce a cada ano. No entanto, agregados à técnica, existem altos riscos, como a maior probabilidade de surgimento de ferrugem e ataque percevejos, além de fatores climáticos que podem influenciar a fase de enchimento de grãos. Segundo Divânia de Lima, pesquisadora da Embrapa Soja, o plantio tardio só deve acontecer quando não há condições climáticas ideais para que ocorra a semeadura na época indicada da cultura. Para ela, existem muitos riscos quando a questão é o plantio tardio.
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— Na medida em que vamos atrasando o plantio, no período de floração, se houverem condições ideais para a cultura da soja, que também são as condições ideais para a esporulação do fungo da ferrugem, haverá maior quantidade de inóculo do fungo no ambiente — afirma a pesquisadora.
Aliada a isso, está a questão dos percevejos. De acordo com ela, os plantios da soja estão começando a cada ano mais cedo, época quando a população de percevejos está muito elevada no campo. Nesse caso, essa população migra para as áreas verdes e, consequentemente, para as lavouras de soja que estão na fase de enchimento de grãos.
— Esses dois fatores causam perdas de produtividade e de qualidade dos grãos. Se, aliado a isso, houver veranicos prolongados, a soja em fase de enchimento de grãos sofre mais. No entanto, estimar a perda é difícil, pois sabemos que a produtividade está relacionada às condições climáticas — conta a entrevistada.
A sucessão do milho com soja, utilizando materiais super precoces, também tem sido uma tendência em algumas regiões. Para Divânia, a prática, que consiste em plantar a soja entre dezembro e janeiro, não é recomendável.
— Os riscos são grandes, tanto em relação ao verão chuvoso, que significa a maior probabilidade de aumento da população de esporos de ferrugem, quanto ao período de estiagem, quando o inóculo de ferrugem no ambiente está baixo, mas a emergência e enchimento de grãos sofrem estresse hídrico, perdendo assim a produtividade — explica Divânia.
Ainda de acordo com ela, o produtor deve sempre fazer a semeadura durante o período indicado para a cultura, além do escalonamento de cultivares, visando à rentabilidade do sistema em longo prazo.
— Às vezes, o fato de ser imediatista pode acabar expondo a cultura à um risco bem maior — conclui a pesquisadora.
Para mais informações, basta entrar em contato com a Embrapa Soja através do número (43) 3371-6000.
