Plástico preto e branco para morango no verão

Tecnologia usa material coextrusado com duas cores, ao invés da cor negra tradicional, para continuar reduzindo pragas, mas não aumentar temperatura no solo

Juliana Royo
Sanidade Vegetal

O plástico já é bastante utilizado na agricultura, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, e é muito recorrente na produção de morango no Estado do Rio Grande do Sul. Normalmente, os produtores utilizam o plástico preto para cobertura do solo com a finalidade de reduzir o número de pragas invasoras e aumentar a temperatura do solo para antecipar a produção. Este plástico preto é utilizado pelos gaúchos para conseguir um morango precoce que chegue ao mercado antes do que o morango de Minas Gerais, principal produtor da fruta. No entanto, com a expansão de novas áreas de produção do morango, principalmente na serra gaúcha, se fez necessária a adoção de uma nova tecnologia.

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Nas novas áreas de morango no Rio Grande do Sul, o clima é muito favorável para o cultivo da fruta e consegue até produzir durante o verão, conquistando um novo mercado. Com isso, não há mais o problema de concorrência com os produtores mineiros e, portanto, não é necessário antecipar a produção. Pelo contrário, a ideia dos produtores da serra gaúcha é prolongar o cultivo. Para isso está sendo usado um novo plástico que é coextrusado e tem duas cores, um lado preto e outro branco. A parte preta continua funcionando contra as pragas. A novidade é uma face branca ou prata que reflete o sol, não permitindo que o solo seja muito aquecido e facilitando o prolongamento da produção.

— O plástico tem trazido benefícios no sentido de economia de mão-de-obra e melhoria de qualidade de produto. A cobertura plástica em estufas plásticas reduz bastante o uso de produtos químicos. O plástico tem o benefício do controle de invasoras, o solo demora mais a perder água. Se se diminui a quantidade de água pra irrigação, melhora muito a qualidade de fruto. Já estamos trabalhando com produtores da serra gaúcha com este plástico coextrusado de duas cores há dois anos e a tecnologia está sendo muito bem aceita, influenciando os produtores próximos às propriedades que estão experimentando o plástico. Há cada vez mais produtores testando a tecnologia e a gente acredita que todo o sistema de produção de morangos no verão possa adotar esta tecnologia — comemora o doutor em agrometeorologia Carlos Reisser, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, que trabalha com uso de plásticos e manejo de água na fruticultura e olericultura.

Reisser é um dos palestrantes do V Simpósio Nacional do Morango, que acontece de 21 a 23 de setembro, em Pelotas, Rio Grande do Sul, e vai falar sobre a nova tecnologia adotada pelos produtores da serra gaúcha. Com a adoção do plástico de duas cores na região, a produtividade média no inverno, período ideal para o morango, é de 40 a 50 toneladas por hectare. No verão, a produção cai para cerca de 12 a 15 toneladas, mas a vantagem é a oferta da fruta em uma época que ela está em falta no mercado nacional. Com isso, o preço oferecido pelo morango é muito maior do que no inverno, o que compensa o investimento do produtor.