As plantas daninhas, conhecidas como infestantes em algumas regiões, não são bem-vindas em nenhuma lavoura. Há diversas maneiras de controlar as invasoras e o uso de químicos é a forma mais utilizada pelos produtores. No entanto, a cultura da mandioca apresenta apenas cinco moléculas combatentes das plantas daninhas registradas no Brasil, o que limita muito a ação dos produtos. Novas pesquisas precisam ser desenvolvidas nesta área para que haja mais opções no mercado e os produtores devem utilizar outras formas de combate como o controle cultural, o biológico e o físico.
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As moléculas liberadas no Barsil para a produção de herbicidas são a ametrina, metribuzim, clethodim, isoxafrutol e o clomazone. A ametrina e o metribuzim são inibidores da fotossíntese, o clethodim é do grupo de inibidores de enzima e o isoxaflutol e clomazone são inibidores da biossíntese do caroteno. Elas combatem plantas como marmelada, o carrapicho, o capim-colchão, o capim pé-de-galinha, a guanxuma, o caruru de mancha e as dicotiledôneas. Como alternativa aos herbicidas existem outras seis formas de controle das plantas daninhas, mas duas delas (o eletroherb e o controle com vapor d'água) ainda não são muito recomendados porque precisam ser mais testados e ter os custos melhor avaliados.
— O controle químico continua sendo o mais utilizado através de herbicidas. As outras modalidades são o controle cultural, que envolve espaçamento e cultivares, o controle mecânico que é feito através de enxadas, o controle biológico que é feito por insetos e patógenos, o controle físico feito através de cobertura morta oriunda de coberturas vegetais que têm a vantagem de liberarem substâncias alelopáticas que podem afetar as plantas daninhas após a decomposição no solo, o controle feito através do vapor d'água e o controle feito pelo eletroherb, que é um choque elétrico — explica o presidente da Sociedade Brasileira da Ciência das Plantas Daninhas, Benedito Noedi Rodrigues, que também é pesquisador científico do Instituto Agronômico do Paraná.
Entre todas as alternativas, o pesquisador acredita que o controle físico pode ser uma ótima alternativa aos produtores. Segundo ele, a cultura da mandioca pode se adaptar melhor ao sistema plantio direto no futuro, principalmente para combater problemas sérios como a erosão dos solos. Se os produtores caminharem para o uso de plantio direto, o uso de cobertura vegetal morta nas plantações seria uma ótima opção para combater as plantas infestantes da mandioca. O controle cultural, que é já bem utilizado, também é uma boa opção. Caso o produtor faça uso dos herbicidas, Noedi alerta para os cuidados que devem ser tomados no manejo dos agrotóxicos como sempre ler a bula, consultar um agrônomo, verificar o registro do herbicida e não fazer a mistura no tanque por conta própria, que é inclusive proibida por lei.
— O produtor deve estar ciente de que um resultado de pesquisa não é uma recomendação, às vezes testes são feitos, mas ainda não podem ser usados, até porque precisa ser registrado. O produtor jamais deve fazer extensão de uso por conta própria, ou seja, não deve nunca utilizar um produto de uma cultura da soja na cultura da mandioca. Nunca alterar doses, para mais ou para menos. As doses recomendadas na bula devem ser utilizadas. Se o produtor utilizar uma dose menor a planta daninha pode não ser controlada e pode até ficar resistente ao herbicida e se ele usar uma dose maior o produto pode contaminar o solo. Jamais utilize adjuvantes ou outro sufactante não recomendado — alerta Noedi.