Preparação do solo, calagem e implantação das mudas de videira

Na implantação de mudas, além das exigências básicas de preparação e correção do solo é fundamental irrigá-lo em períodos secos, em épocas de formação das plantas, e nos ciclos de poda curta e longa

Aline Jesus
Adubação

O produtor que almejar ter um bom vinhedo, o primeiro passo na implantação é preparar o solo, seguido de calagem e a correção para fósforo, potássio e boro. Além disso, é essencial o uso de material de propagação com qualidade genética e sanitária garantida.

Rica em cálcio, a videira tem seu desenvolvimento favorecido em solos bem drenados, com saturação de bases igual a 80%. A Embrapa Uva e Vinho orienta que na fosfatagem, em regiões de solos sob cerrados, o cálculo é feito com base no teor de argila do solo, sendo recomendável utilizar três a cinco quilos de fósforo solúvel para cada 1% de argila. Esta prática deve ser feita três meses antes do plantio e três meses após a calagem. O ideal é que os corretivos sejam aplicados em toda área, até 20 centímetros de profundidade. Para o plantio das mudas, deve-se também fazer uma adubação corretiva para fósforo, potássio e boro no momento do preparo das covas ou de sulco, conforme mostra  o quadro abaixo. Cerca de 30 a 45 dias antes do plantio, as covas devem ser preparadas com 50 quilos de esterco de aves.

Se o produtor optar por mudas já enxertadas ou mudas de raiz nua, o ideal é usar mudas ou bacelos livre de vírus. Os pesquisadores recomendam que o plantio seja feito de julho a agosto. Porém, se a a escolha for pelo sistema tradicional de implantação, os porta-enxertos devem ser plantados de agosto a 30 novembro. Desta forma, será possível realizar a enxertia diretamente no campo, em junho ou julho do ano seguinte. Outra opção para o sistema tradicional de implantação que a Embrapa Uva e Vinhos indica é o plantio de estacas não enraizadas de porta-enxertos, diretamente em covas no campo.

O desenvolvimento das plantas será favorecido se o plantio de mudas estiver bem enraizada após o inverno. No Sudeste e parte do Centro-Oeste do Brasil, os períodos secos ocorrem em meados de abril até meados de novembro, quando se faz necessário a irrigação. Já em regiões no norte do Mato Grosso  e no norte do Paraná, o período seco é menor. Neste caso, o período de irrigação deve ser ajustado de acordo com as demandas locais. Qualquer sistema de implantação das mudas que o produtor escolher, é fundamental o uso da irrigação no período seco, em épocas de formação das plantas, e nos ciclos de poda curta e longa.