A noção de sustentabilidade tem andado lado a lado com a produção agrícola. No entanto, ainda existem certos buracos que precisam ser acertados. No contexto produção, por exemplo, é preciso adotar medidas que busquem, principalmente, preservar o solo, um dos principais responsáveis pela manutenção da saúde e desenvolvimento da planta. Segundo Derli Dossa, chefe de gestão estratégica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, coordenador do Programa Agricultura de Baixo Carbono, a agricultura brasileira passa por um bom momento e há 3 razões para isso.
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— A primeira delas é de que o país conta com uma tecnologia tropical muito desenvolvida, o que fez com que a produção crescesse em torno de 850% nos últimos 5 anos, enquanto que a área produzida só aumentou 120%. O segundo fator importante é que a agricultura brasileira conseguiu alimentar hoje os 190 milhões de brasileiros. Não temos falta de alimentos no país e conseguimos gerar um excedente exportável de estimativa de mais US$80 bilhões. O terceiro ponto é que os preços internacionais são favoráveis aos alimentos — afirma Dossa.
De acordo com ele, a Economia Verde e a produção de alimentos são regidas pelos mesmos princípios básicos. O chefe de gestão do MAPA diz que não há mais como separar a questão da produção de alimentos da sustentabilidade ambiental.
— Com o debate do Código Florestal há mais de 3 anos, já notamos esse equilíbrio entre produzir e preservar. Nesse momento, temos um estreito relacionamento com o Ministério do Meio Ambiente para a produção do cadastro ambiental rural, ferramenta que tem como objetivo produzir a discussão sobre o que preservar em cada propriedade rural e o que pode ser produzido — conta.
Ele cita ainda o Programa ABC, que veio fazer o que os produtores sempre fizeram, ou seja, produzir com tecnologia adequada. Dossa afirma que não há falta de recursos financeiros para os agricultores que desejam obter empréstimos para desenvolver as 6 propostas do Programa, como o plantio direto na palha, integração lavoura-pecuária-floresta ou o plantio de florestas, por exemplo.
— Todavia, existe um gargalo no meio: a assistência técnica. A maior parte dos técnicos que atuam diretamente com os produtores não foi treinada em uma agricultura que busca trazer, ao mesmo tempo, redução de emissões de gases de efeito estufa. Nesse momento, eles notam que, dado o esgotamento de tecnologias de produção máxima, há a necessidade de mudar o modo com o qual tratam o próprio solo, pois ele é a vida da planta — explica.
Dossa afirma que, para obter plantas sadias, o solo precisa ser tratado, tanto nos aspectos químicos quanto nos aspectos físicos. Para ele, esse é o ponto que faz a diferença. Portanto, hoje, é preciso produzir, mas proteger as condições químicas e físicas do solo. Ele diz que os produtores sempre fizeram bem, mas agora precisam fazer bem feito. Para isso, é preciso introduzir a noção de agricultura dos antepassados.
— No meu entendimento, precisamos adotar coisas simples, como por exemplo, a rotação de culturas. Em um período de verão, é possível ter soja em uma área da propriedade e em outra área o milho, por exemplo. Já no período de inverno, ou ele tem cobertura de solo, ou alternativas de inverno. Quando ele faz um sistema de rotação, ele já está introduzindo as características das diferentes espécies plantadas — explica.

Reportagem exclusiva originalmente publicada em 30/10/2011