Prevenção e controle das queimadas

Medidas simples podem evitar o surgimento de focos de incêndio de grandes proporções

Ronaldo Trecenti
Manejo

  

Acabamos de passar por um dos piores períodos de estiagem dos últimos anos, no qual as queimadas devastaram pastagens, áreas agrícolas, em especial, as cultivadas sob o Sistema Plantio Direto (SPD), matas ciliares, reservas biológicas e indígenas, com destaque para os incêndios no Parque Nacional de Brasília e no Parque Nacional das Emas, localizados na região do Cerrado, onde a seca foi mais prolongada.

Em poucos instantes, o fogo descontrolado avançou sobre a vegetação ressequida, inclusive sobre as matas ciliares, destruindo toda a proteção do solo, eliminando plantas e causando a morte de animais silvestres que habitam os campos.

É preciso agir de forma efetiva contra esta tragédia que é fruto do descaso, da omissão, da irresponsabilidade e da ignorância de vários atores envolvidos nas suas causas e proliferação.  Diz a sabedoria popular que é melhor prevenir do que remediar. No caso das queimadas a prevenção é sempre o melhor remédio, pois além de custar muito menos é muito mais fácil de ser adotada.

Medidas simples como a limpeza e queima controlada nas áreas de foco de incêndios como áreas de domínios das ferrovias, das rodovias pavimentadas federais, estaduais e municipais e das estradas vicinais podem evitar o surgimento de focos de incêndio de grandes proporções.

Esta queima deve ser realizada no final do período chuvoso, com a assistência de brigadas anti-incêndios, de forma a permitir a queima rápida da massa seca e a rebrota da vegetação, que serve de barreira para novos focos.

Os aceiros também são medidas simples e de alta eficiência. Eles também devem ser feitos no final do período chuvoso, quando as operações de limpeza da área são mais fáceis.

Normalmente é realizada a eliminação da vegetação de uma faixa marginal da área a ser protegida (canavial, pastagem, floresta, SPD, ILP, ILPF, reservas etc.), que poder ser feita através de capina, aração, gradagem e roçagem, desde que a massa seca ou palhada seja eliminada.

Nas reservas biológicas o uso controlado do fogo pode ser uma alternativa importante para a queima programada anual ou bianual de parte da área visando diminuir a massa seca e, portanto, o risco de incêndios que possam atingir a área total. Ela também deve ser realizada no final do período chuvoso (abril/maio), onde seus impactos são reduzidos e proporciona uma área de refúgio para a fauna em caso de incêndios.

No campo, o controle das queimadas precisa ser planejado e deve envolver todos os produtores de uma região. Dever ser constituída uma brigada anti-incêndio contando com monitoramento permanente no período crítico (seca), por meio da construção de torre de observação e sistema de alarme, que avise o surgimento de focos (fumaça); equipada com abafadores, máscaras, luvas, macacão, botas de couro, capacetes, pulverizadores costais, facão, foices, enxadas, trator com grade e lâmina, carro pipa etc.
Uma medida que pode surtir efeito no combate às queimadas é o uso do contra-fogo, isto é, provocar a queima da massa seca no sentido contrário do deslocamento das chamas, utilizando-se o lancha-chama ou uma vara com um chumaço de pano ou estopa em bebido em diesel.

Após o controle da queimada é fundamental fazer monitoramento da área atingida para eliminar o ressurgimento de focos em troncos de árvores, tocos, estrume seco etc.

Sabendo que a prevenção é a medida mais eficaz contra as queimadas vale salientar a importância das campanhas massivas e continuadas de educação ambiental, de âmbito federal, estadual e municipal, envolvendo todos os agentes e atores.

Poderiam ser criados alguns incentivos para as propriedades com programas de prevenção às queimadas e sem registro de ocorrência como, por exemplo, a redução do ITR e do Funrural ou até mesmo um ICMS ecológico ou verde, com redução de alíquota.

Visando cumprir o compromisso voluntário do Governo Federal, assumido na COP 15, de redução da emissão dos GEE em 39%, até 2020, cabe às nossas autoridades, às nossas lideranças, aos nossos produtores e à toda sociedade buscar formas de reduzir as queimadas, que além de causar grandes prejuízos financeiros, ambientais e sociais, mancha a imagem do nosso País.