Processamento da casca de coco verde

Embrapa desenvolve tecnologia que transforma cascas de coco verde em fibras e pó

Nivea Schunk
Meio Ambiente

A questão da destinação dos resíduos gerados pelo consumo do coco motivou a criação de uma tecnologia de processamento de cascas, conduzida pela Embrapa Agroindústria Tropical. A pesquisadora Mocileide de Freitas Rosa ressalta que o descarte impróprio do excedente da manipulação industrial e do consumo in natura, pode ser uma fonte de armazenamento indevido de água e foco de doenças.

Em parceria com a metalúrgica privada Fortalmag, a técnica foi aprimorada por meio de um processo de otimização e melhoria contínua, que viabilizou o desenvolvimento de equipamentos de manipulação específica. O conjunto de máquinas de trituração, prensagem e classificação é dotado de capacidade para transformar as cascas de coco verde em pó e fibras.

— A partir daí, o material ganha múltiplas formas de utilização, desde a produção de artesanato e substituição da lenha, até virar biomanta para recuperação de áreas degradadas. Há também a possibilidade de ser usado como fibra de reforço em plásticos — explica Mocileide.

Com a validação do procedimento, a técnica se disseminou e, atualmente, encontra-se instalada com sucesso em 15 cidades brasileiras. Esses resultados já se desdobraram em outras linhas de pesquisa, que contemplam novos produtos em fase de testes.

Sob o aspecto de renovação de conceito, a pesquisadora afirma que pensar em resíduos líquidos, sólidos e emissões em geral, como lixo, está absolutamente ultrapassado.

— A geração de matéria-prima é a solução para o problema. Além de agregar valor a uma série de produtos, integra e intensifica as possibilidades de rendimento e sustentabilidade.