Produção agroecológica da erva-doce

Foi realizado trabalho com a produção de adubo orgânico, por meio da compostagem, e a produção de erva-doce a partir de mudas

Margareth Santos
Manejo

Baseada na demanda dos produtores familiares de Simão Dias (SE), que cultivavam a erva-doce com o uso de adubo químico e agrotóxicos para controle de pragas, a Embrapa Tabuleiros Costeiros desenvolveu pesquisa para reduzir o odor do veneno no aroma das plantas, que reduzia sua comercialização. A solução encontrada foi iniciar um processo de conversão do sistema convencional para a produção agroecológica.

— Começamos um projeto na linha de pesquisa participativa, onde os produtores definiram quais tratamentos seriam testados. Eles fizeram um cultivo da forma tradicional no consórcio de feijão, com adubação química, sem o uso de agrotóxicos, e outro com tratamento de adubação orgânica. Foram também apresentadas algumas técnicas, como barreira de ventos e cerca viva com fruteiras, entre outras, de forma a reduzir a incidência de pragas, aproveitar melhor a área de cultivo e enriquecer a biodiversidade local — revela a pesquisadora Luciana Marques de Carvalho, uma das responsáveis pelo projeto.

"Uso de adubação
orgânica aumentou
a produtividade"



Luciana Carvalho,
Embrapa Tabuleiros Costeiros

A pesquisa participativa contou com grupos de apoio e foi responsável pelo diagnóstico do problema. As unidades demonstrativas foram instaladas nas áreas de dois produtores da região. Os pesquisadores introduziram novas técnicas que reduziram a incidência de insetos e melhoraram a seleção das sementes. Também foi realizado trabalho com a produção de adubo orgânico, por meio da compostagem, e a produção de erva-doce a partir de mudas. Hoje, um novo projeto já está em andamento, buscando aperfeiçoar os sistemas de secagem e armazenamento.

— Os produtores verificaram que houve uma produtividade maior com a adubação orgânica, e que a produção feita a partir de mudas antecipava o tempo de colheita, fugindo da etapa da seca, e reduzia as pragas. Ao adiantar a colheita, realizada com cerca de 40 dias, esses produtores passaram a ser os primeiros a comercializar as sementes, aumentando o preço do produto. Eles conseguiram vender antes, diminuir as pragas e não usar agrotóxicos — explica Luciana.