Uma nova tendência no mercado consumidor está levando grandes empresas de avicultura a investirem em sistemas alternativos de produção. Com a crescente procura por frangos criados em condições mais naturais e sem adição de produtos químicos nas rações, o sistema de criação “Frango Feliz” ganha popularidade entre pequenos e médios produtores e chama atenção da indústria. O sistema começou a ser desenvolvido em meados da década de 1990, por pesquisadores da Universidade de São Paulo, com o objetivo principal de recuperar a tradicional produção caipira, que foi ofuscada pelo desenvolvimento da avicultura industrial.
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A técnica alternativa de produção trabalha com menor intensidade de aves na área de criação, utiliza uma alimentação diferenciada e proporciona às aves um contato direto com o ambiente externo, fazendo com que ela se exercite mais e volte ao seu comportamento natural. O principal benefício é a oferta de produtos de qualidade exclusiva. A pigmentação dos ovos muda e atrai mais o consumidor e a carne não corre risco de carregar qualquer resíduo de produtos químicos. Por causa das particularidades, o produto alternativo não concorre diretamente com a avicultura industrial, já que atende a um nicho específico do mercado.
— Estamos tendo uma grande repercussão da atividade. O numero de produtores interessados vem crescendo, as parcerias com institutos também vêm se intensificando. Já observamos muitas instituições e empresas privadas que vêm produzindo esse frango alternativo com um nível expressivo de comercialização, inclusive em grandes redes de supermercado — explica Antonio Augusto Domingos Coelho, professor do departamento de Genética da Esalq/USP.
A adoção da técnica do Frango Feliz pressupõe adaptações em todas as etapas de produção da avicultura. Desde os insumos e o material genético, que não pode ser o mesmo utilizado na criação industrial, até os galpões, que possuem acesso à área externa. Já existem no Brasil materiais genéticos apropriados para a criação alternativa. Eles são comercializados por empresas privadas e também distribuídos por algumas instituições de pesquisa, como a Embrapa e a própria Esalq/USP.
O primeiro passo para o produtor que estiver interessado em investir nesse nicho mercadológico é encontrar as informações básicas sobre o sistema.
— O produtor deve buscar uma literatura na área ou acessar as informações através da própria internet, buscando sites relacionados ao assunto para verificar as necessidades de área, instalações, produção vegetal em torno das instalações e também de como ele vai conseguir os pintinhos. Então são análises iniciais que ele deve fazer e, se for o caso, buscar apoio em universidades, órgãos de extensão ou casas de avicultura para definir como usar da melhor maneira possível o espaço físico da sai propriedade — orienta o professor.