O cultivo de flores tropicais se destaca como um agronegócio rentável, fixador de mão-de-obra no campo e como cultura alternativa para pequenos produtores. No Estado do Ceará, a plantação tem se concentrado, principalmente, em regiões serranas, que apresentam relevo acentuado e escassez de terras para a expansão da agricultura. Por isso, a expansão dessa cultura pelo litoral cearense é vista com bons olhos pelas extensas áreas planas e pela elevada disponibilidade de água.
Em função das condições de temperatura e luminosidade dessa faixa litorânea, em estudo da Embrapa Agroindústria Tropical, em Fortaleza (CE), os pesquisadores Fred Carvalho Bezerra e Rubens Sonsol Gondim observaram que de maneira geral, pode-se afirmar que o sistema de cultivo da alpínia ou panamávermelho em telado mais recomendado nas condições de Litoral do Estado do Ceará, é aquele em que se usa o espaçamento do canteiro 0,90 x 2,0 metros e a menor dose de adubação NPK 15:15:15 (187 g/cova), adicionados 37,5 quilos por hectare de micronutrientes (FTE-BR12) e húmus de minhoca (20 quilos por metro quadrado) parcelados quatro vezes ao ano. Desse modo, se redução custos na aquisição de mudas e fertilizantes/adubos, e não se interfere na quantidade e qualidade das hastes florais produzidas.
O florescimento da alpínia transcorre durante todo o ano e em telado com 50% de sombreamento, em condições de litoral, em vários espaçamentos e doses de adubação, representa uma boa oportunidade de exploração agrícola para essas regiões.
A pesquisa também mostra que a variação do espaçamento causa diferentes efeitos nos tamanhos da haste e da inflorescência, e que, em geral, pode-se dizer que o adensamento concorre para o aumento da produtividade, enquanto que o aumento do espaçamento proporciona aumento do vigor das hastes, refletindo na qualidade delas. Isso, provavelmente, ocorre em virtude do rápido ganho de qualidade, e mais espaço para o melhor desenvolvimento da touceira, aproveitando melhor os nutrientes disponíveis.