O veterinário Janderson Tolentino Silveira não imaginava o que iria encontrar quando decidiu mapear todas as operações realizadas ao longo do processo de produção leiteira. Ele pretendia apurar o gasto energético total e compará-lo ao produto final (o leite). A pesquisa foi desenvolvida na Fazenda Experimental Professor Hamilton de Abreu Navarro, na Universidade Federal de Minas Gerais, em Montes Claros, e, de acordo com Tolentino, foi quantificado o total de energia gasta por hectare na produção e o quanto as vacas forneceram em troca no ano agrícola. Até então, a maioria das pesquisas estavam ligadas apenas às questões econômicas da atividade.
— Avaliamos a sustentabilidade da produção do leite bovino sob o ponto de vista energético. Se consideramos que energia é a capacidade de gerar trabalho, nós percebemos que os principais gargalos energéticos são idênticos aos gargalos econômicos, estabelecendo entre eles uma correlação muito interessante — garante Tolentino.
Uma das preocupações da agroecologia é com relação às fontes energéticas do futuro, em função do iminente esgotamento do petróleo e a sua possível substituição. A ideia é descobrir os pontos que mais consomem energia e a partir daí buscar fontes alternativas.
— Os principais pontos com mais gastos são: fertilizantes, sobretudo a ureia; combustível, por meio da mecanização agrícola; e a ração concentrada dos animais, principalmente o farelo de soja e o milho triturado — alerta o pesquisador.
Isso ocorre devido ao processo de produção dos insumos, que é bastante dependente de energia fóssil, oriunda do petróleo. Portanto, a energia embutida nos derivados do petróleo está muito marcante na produção do leite, conforme observação do trabalho, iniciado em dezembro de 2008. Cada operação do itinerário técnico foi descrita minuciosamente e avaliada durante o ano agrícola.
![]() |
"O processo de |
— Nós calculamos cada gasto, de cada componente energético, de cada atividade da produção de leite. Através do volume desta produção nós pudemos obter o quanto foi gerado de energia nesse sistema e determinar se ele foi sustentável ou não, sob a ótica energética. A pesquisa revelou que o sistema não foi sustentável, com um gasto maior do que a produção. Foram gastos por hectares 34 mil megajoules e produzidos 8,5 mil megajoules — explica.
A partir dessas observações, o Instituto de Ciências Agrárias da universidade pretende desenvolver soluções para a substituição dessas fontes. Os fertilizantes podem ser trocados por biofertilizantes, oriundos dos excrementos das vacas, melhorado o meio ambiente e reduzindo os custos. Outra possibilidade é a adubação verde, onde leguminosas são incorporadas ao solo, diminuindo a quantidade do uso de fertilizantes. A única forma de evitar a dependência do petróleo, segundo Tolentino, é buscando novas fontes por meio da análise de outras culturas.
